O PAPEL DO PSICÓLOGO NA SOCIEDADE    

Por: Patrícia Zogbi

Esse texto busca elucidar o papel do psicólogo na sociedade. Esse conteúdo fora desenvolvido para o grande público, afim de que se entenda o fazer do Psicólogo. Para que se compreenda melhor a prática dessa profissão, convido você, caro leitor, a realizar a seguinte pergunta norteadora: “Qual a importância da atuação do psicólogo na sociedade?”.

Primeiro deve-se esclarecer que o Psicólogo busca auxiliar o indivíduo a se compreender, podendo trabalhar a relação do mesmo com a sua história, suas expectativas para o futuro, bem como suas relações sociais. Contudo, deve-se frisar que tal compreensão partirá do indivíduo, cabendo ao psicólogo o papel de mediador desse processo. É de suma importância quebrar o pensamento errôneo de que um indivíduo só deve procurar a ajuda de um psicólogo quando está em estado de “loucura”, tal visão não é verídica, pois o papel do Psicólogo na sociedade é justamente de promoção e prevenção na saúde.

Sendo assim, pensemos na seguinte situação: No contexto sócio-econômico atual o nível de exigência das organizações aumentou, como consequência para tal situação, as pessoas passaram a trabalhar freneticamente, buscando alcançar tais exigências, além disso, há um esforço para que se atenda os padrões sociais ditos “normais”. A partir da situação exposta, deve-se entender que é comum em algumas pessoas o surgimento de sintomas, como por exemplo, ansiedade e estresse, essas situações são comuns, a diferença é como cada indivíduo irá lidar com elas. Dessa forma, deve-se compreender que o Psicólogo irá olhar para o indivíduo de forma integral, em sua dimensão biopsicossocial, ou seja, compreender o sujeito em sua dimensão biológica, psicológica e social, auxiliando o mesmo na busca por se compreender, ao mesmo tempo que atentará para o contexto que esse sujeito está inserido, bem como para as suas relações sociais. Deve-se ter em mente também que o psicólogo lidará com um sujeito concreto, inserido numa realidade sócio-histórica-cultural, tendo no cotidiano seu espaço vital³.

Com base nessas informações, deve-se frisar que a conscientização/compreensão do sujeito, não consiste em uma simples mudança de opinião sobre a realidade, tampouco na mudança da subjetividade. Mas então, do que se trata a conscientização do indivíduo? trata-se de uma mudança de sua relação com o meio e com os demais, pois não há saber transformador da realidade que não envolva uma mudança de relações.

Sendo assim, o horizonte da psicologia na sociedade deve ser a conscientização, auxiliando o indivíduo a chegar a um saber crítico sobre si e sobre a sua realidade¹. Como consequência, assume-se o trabalho de desalienação do sujeito. Entende-se por alienação um fator limitador para o sujeito, por exemplo: em uma classe social mais oprimida economicamente, a alienação aparecerá como carência em termos de trabalho, saúde e educação². Portanto, o psicólogo irá agir no sentido de eliminar ou controlar aqueles mecanismos que bloqueiam a consciência da identidade pessoal¹. Dessa forma, o fazer do psicólogo não pode limitar-se ao plano abstrato do individual, mas deve confrontar também os fatores  sociais onde se materializa toda individualidade humana.

Por fim, lembro-lhes que só a percepção da realidade pode possibilitar a mudança². Pode parecer viável para muitos o fazer pelo fazer, atentando somente para o sintoma e não para o sujeito em sua integralidade. Pode parecer também, que a técnica esteja sendo invadida por considerações inoportunas e alheias à técnica², mas constituem paradoxalmente seu mais importante significado.

Cabe ao psicólogo na sociedade o papel de desmistificador, pois se ele busca a mudança do indivíduo, não pode deixar de fora toda situação que o conduziu até ali. Sendo assim, a função do psicólogo na sociedade é dar voz e vez para o sujeito em sofrimento, afinal, não se pode mais navegar impunemente no mar da indiferença.

REFERÊNCIAS

¹BARÓ, Ignácio Martin. O Papel do Psicólogo. Estudos de Psicologia, Natal, v. 2, p. 727, 1997. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413 294X1997000100002&script=sci_abstract&tlng=pt>. Acesso em: 12 abr. 2016.

²SELL, Tereza. Função Social do Psicólogo. Revista de Ciências Humana, Florianópolis, v. 1, n.1, p. 86-91, s/d. Disponível em <https://periodicos.ufsc.br/index.php/revistacfh/article/view/23715/21294>. Acesso em: 12 abr. 2016.

³SILVA, Janaína Vilares; CORGOZINHO, Juliana Pinto. Atuação do psicólogo, SUAS/CRAS e Psicologia Social Comunitária: possíveis articulações. Psicologia e Sociedade, Florianópolis, v. 23, p. 12-21, mai 2011. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.phpscript=sci_arttext&pid=S01027182201100040000>. Acesso em: 12 abr. 2016.

 

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