O desenvolvimento da inteligência emocional na educação infantil

por Nadine Cestari Suavi

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), no capítulo relacionado ao tema transversal saúde, sugerem que toda escola deve incorporar os princípios de promoção da saúde indicados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), com os objetivos de promover a saúde e o aprendizado em todos os momentos; incluir profissionais de saúde, educação, pais, alunos e membros da comunidade, no esforço de transformar a escola em um ambiente saudável; efetuar práticas que respeitem o bem-estar e a dignidade individuais e realizar políticas que garantam o bem-estar individual e coletivo, oferecendo oportunidades de crescimento e desenvolvimento em um ambiente saudável, com a participação dos setores da saúde e educação, família e comunidade[1].
A educação sempre foi cercada de expectativas de transformação e desenvolvimento do ser humano ao ser realizada com liberdade, contribuindo com a solidariedade e a vida em comunidade, com amor e respeito entre os indivíduos. Simultaneamente, vemos professores e estudantes vivendo uma fase marcada por dificuldades, incertezas e com valores humanistas ausentes. Muito se vê sobre violência nas famílias, nas escolas e na sociedade. Esse contexto leva a refletir sobre as emoções e o quanto o desenvolvimento da inteligência emocional pode contribuir para o processo de ensino-aprendizagem e para uma melhor desenvoltura na vida pessoal, favorecendo o equilíbrio entre aspectos cognitivos racionais e emocionais do estudante[2].
Para Goleman[3], um indivíduo emocionalmente inteligente é aquele que possui uma atitude positiva frente à vida, dando um maior valor para os aspectos positivos do que para os negativos, criando um equilíbrio entre tolerância e exigência. Além disso, possui a capacidade de empatia, sendo capaz de se colocar no lugar do outro.
Goleman[3] afirma que, de forma particular, a escola deve apostar na formação de competências sociais e emocionais, pois é um local onde crianças e adolescentes passam a maior parte do seu tempo, fazendo com que seja um dos maiores agentes de socialização; porém, nem tudo é fácil. As dificuldades com relação à implementação podem ter ligação com a dificuldade que alguns professores sentem na abordagem de temas pessoais e subjetivos, levando em conta que se trata de assuntos de cunho familiar. Ainda pode ocorrer a resistência de alguns alunos por sentirem como se sua intimidade estivesse sendo invadida ou até mesmo por acharem que os temas não são particularmente interessantes para si. Outro aspecto a ser considerado é a importância que deve ser dada com vista à manutenção da qualidade educacional implícito às emoções.
A inteligência emocional leva em consideração a percepção, a avaliação e a expressão das emoções, pela predisposição que o indivíduo tem de identificar suas próprias emoções ou a de outras pessoas, por meio de sua linguagem, aparência e comportamento. A mesma é caracterizada como uma capacidade referente à facilitação do ato de pensar. As emoções voltam a atenção para informações importantes ao pensamento e são utilizadas como auxílio para julgamentos e sentimentos[4].
A inteligência emocional auxilia na compreensão e na análise das emoções e emprega o conhecimento emocional, pois possibilita reconhecer as relações entre as palavras e as emoções em si e possibilita, também, compreender os significados que as emoções transmitem como, por exemplo, a tristeza geralmente acompanhada de uma perda e a raiva geralmente acompanhada de uma frustração. Também permite o controle reflexivo das emoções para proporcionar o crescimento emocional e intelectual, quando o indivíduo se mantém aberto a seus sentimentos, agradáveis ou não, podendo se envolver com eles por meio da reflexão ou se distanciar deles, desviando a atenção para outros objetos de pensamento[4].
Deste modo, a Educação Emocional em meio escolar tem como objetivo atuar de forma preventiva, pois quando o aluno desenvolve competências pessoais e sociais se torna capaz de avaliar, expressar e adequar as suas emoções, comportamentos e atitudes. Por meio da Educação Emocional o indivíduo adquire e/ou desenvolve a habilidade para identificar suas emoções e as de outras pessoas. Um processo de introspecção permite a adequação do expressar das suas emoções e sentimentos, dando a capacidade para distinguir entre o que é apropriado para cada contexto, mesmo se tratando de um cenário desfavorável[4].
A escola não pode se limitar a ser unicamente um centro de transmissão de conhecimentos sistemáticos voltados somente para o desenvolvimento cognitivo de seus alunos. Faz-se necessário que a escola e os professores repensem sua prática com relação à importância de promover o ajuste emocional de seus alunos. Assim, a escola partiria de uma visão uniforme da mente para uma visão mais ampla, definida por Gardner como uma escola mais humanista, o que envolve todos os âmbitos e não somente os aspectos cognitivos[5].
Sendo assim, o desenvolvimento da inteligência emocional proporcionado pela escola faz com que ela tenha o papel de espaço multiplicador de indivíduos que pensam; que tenham qualidade de vida e que saibam administrar esses pensamentos; que reflitam antes de reagir em determinada situação; que sejam capazes de se colocarem no lugar dos outros; que expressem e avaliem suas emoções, identificando-as e as controlando para solucionarem problemas surgidos nas mais diversas situações do cotidiano, seja no âmbito familiar e/ou escolar.

REFERÊNCIAS

[1] GONÇALVES, Fernanda Denardin, et al. A promoção da saúde na educação infantil. Interface – Comunic., Saúde, Educ., Fortaleza, v. 12, n. 24, p. 181-192, 2008.

[2] RÊGO, Claudia Carla de Azevedo Brunelli; ROCHA, Nívea Maria Fraga. Avaliando a educação emocional: subsídios para um repensar da sala de aula. Ensaio: aval. pol. públ. Educ., Rio de Janeiro, v. 17, n. 62, p. 135-152, 2009.

[3] GOLEMAN, Daniel. Inteligência emocional: a teoria revolucionário que redefine o que é ser inteligente. 35. ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 1995.

[4] SANTOS, Jair de Oliveira. Educação emocional na escola: a emoção na sala de aula. 2. ed. Salvador, 2000.

[5] SILVA, ANTONIO CARLOS RIBEIRO DA; SILVA, GIDELIA ALENCAR DA. A educação emocional e o preparo do profissional docente. In: CONGRESSO INTERNACIONAL GALEGO-PORTUGUÊS DE PSICOPEDAGOGIA, 10., 2009, Braga.

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