O PERÍODO GESTACIONAL PARA A MULHER

Por Ana Cristina Heiderscheidt Silveira e Giovana Hoffmann

A gravidez faz parte do ciclo vital de muitas mulheres e ocasiona grandes mudanças em sua vida. É a partir da gravidez que ela deixa de ser apenas mulher, para adquirir o papel social de mãe. Por ser um período de grandes transformações psíquicas e um período de transição, demanda um suporte a essas mulheres dos profissionais de saúde durante essa fase [1].

É na primeira consulta com o médico que a mãe busca tirar as primeiras dúvidas acerca da gestação, certificar se está realmente grávida, se seu corpo está preparado para esse bebê, se está tudo bem com a saúde desse bebê, bem como as ansiedades e dúvidas sobre o futuro da gestação. O profissional deve reconhecer que esse é um período de ambivalência na vida da mulher. Toda gestante quer e não quer estar grávida, pois neste período ansiedades e medos primitivos afloram, o que demanda do profissional compreender este período sem julgamentos [1].

Nesse processo, o psicólogo poderia auxiliar acolhendo esta mulher frente às incertezas apresentadas por ela. Ele também deve levar em conta que cada mulher vive a gestação de forma única, então deve olhar para sua subjetividade. Com o acompanhamento psicológico durante a gravidez, o psicólogo poderá esclarecer possíveis dúvidas que ficaram após a consulta com o médico, e ajudá-la a reconhecer de forma clara seus sentimentos e emoções [2].

Com o passar dos meses, novas dúvidas e ansiedades surgem na gestante. O primeiro trimestre é no qual geralmente ocorrem alterações de humor devido às mudanças hormonais e psicológicas, enjoos, as primeiras modificações corporais, entre outros [4]. No segundo trimestre é quando acontecem os primeiros movimentos do feto e a mulher sente seu bebê concretamente. Também é nesse período que ocorrem mudanças no desejo sexual.

Já no terceiro trimestre, começam a surgir ansiedades e medos com o parto que se aproxima, e as queixas físicas começam a aumentar. É de extrema importância o profissional estar atento a essas mudanças e proporcionar uma escuta acolhedora, tomando cuidado para não ter uma fala muito técnica, dificultando a compreensão desta mulher [4].  

No parto ocorre a transição entre a gravidez e o puerpério, é um período curto, porém marcado por grandes emoções e mudanças. Com o parto diversos medos começam a surgir, como o medo da dor que está por vir, o medo do bebê nascer e rasgar sua genitália, entre outros. A escolha entre os diversos tipos de partos (cesárea, normal, natural e humanizado) também geram dúvidas entre essas mulheres; questões religiosas e culturais também podem afetar na escolha do parto, causando insegurança e o medo de não ser capaz de gerar o bebê. O hospital também pode representar anseios para essa mulher, afinal é um ambiente desconhecido e por isso deve ser um local onde se sinta acolhida [3].   

O parto então é um fato social, no qual surge um novo ser humano. Ele é considerado um processo psicossomático, rodeado por idealizações e anseios; demanda dos profissionais orientar, fortalecer, escutar e esclarecer sobre as diversas questões que aparecem nesse momento. Esses esclarecimentos são importantes para o bem estar da mulher e possibilitam que ela possa enfrentar essas mudanças de forma mais equilibrada [3].

REFERÊNCIAS

[1] ALVES, C. F. et al. Intervenção Psicológica no período pós-parto em uma maternidade. Disponível em: http://online.unisc.br/acadnet/anais/index.php/jornada_psicologia/article/view/10213. Acesso em: 16 mai. 2018.

[2] FLECK, A. O bebê imaginário e o bebê real no contexto da prematuridade. Disponível em: http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/37208/000820507.pdf?. Acesso em: 16 mai. 2018.

[3] MALDONADO, M. T. Psicologia da Gravidez: parto e puerpério. 14 ed. Rio de Janeiro: Editora Saraiva, 1997.

[4] SARAMENTO, R. SETUBAL, M. S. V. Abordagem psicológica em obstetrícia: aspectos emocionais da gravidez, parto e puerpério. Disponível em:  http://periodicos.puc-campinas.edu.br/seer/index.php/cienciasmedicas/article/viewFile/1260/1235. Acesso em: 16 mai. 2018.

AS ATRIBUIÇÕES DO PSICÓLOGO HOSPITALAR

Por Stefanie Debatin

O Brasil é considerado um dos países pioneiros no desenvolvimento de uma nova especialidade na área da Psicologia, a Psicologia Hospitalar que surge em meados da década de 80. Este termo é utilizado para nomear as atividades do psicólogo da saúde em hospitais, onde se fazem presentes os processos doença-internação-tratamento, mediados pela relação doente-família-equipe. Portanto, os alicerces da Psicologia Hospitalar são a construção e a execução de teorias e técnicas específicas voltadas às pessoas hospitalizadas[1].

De acordo com o Conselho Regional de Psicologia do Paraná[2], o objetivo geral da Psicologia Hospitalar é pautado no acolhimento e no trabalho com pacientes de qualquer faixa etária, bem como com suas famílias, que estão em sofrimento psíquico decorrente da sua patologia, internação e tratamento.

Em relação aos fazeres do psicólogo hospitalar frente ao adoecimento e à internação, este atua como um facilitador da comunicação e da expressão do ser por meio da linguagem. Em conjunto com a equipe multidisciplinar, a melhora da comunicação serve de auxílio para a tomada de decisões e encaminhamentos frente às dificuldades apresentadas pelos pacientes e sua família. O psicólogo também pode atuar como um mediador entre os membros da equipe ou até mesmo entre a equipe e o paciente, com a finalidade de reduzir o estresse que é muito comum neste local[3].

O psicólogo hospitalar deve ser um observador qualificado, que interpreta os anseios do paciente, tornando-se um responsável sobre as transformações no processo de recuperação. Quando o paciente for uma criança, por exemplo, é imprescindível que se considere outras questões como as reações de cada uma delas, características ambientais e do período evolutivo no qual ela se encontra naquele determinado momento [4]. É muito importante que o profissional de Psicologia tenha conhecimento das fases da infância, para que ele se atente à saúde do paciente de forma integral e não focalizada[5].

Mäder[3] afirma que é preciso considerar que o psicólogo não lida somente com o sofrimento do paciente, mas também com a família e até mesmo com outros profissionais envolvidos, favorecendo o enfrentamento da doença por todos. O profissional de Psicologia é capaz de oferecer suporte psicológico para os familiares da criança internada, uma vez que cada membro pode manifestar as mais diversas reações diante daquele momento. As técnicas que o psicólogo usa, varia de caso para caso, respeitando a necessidade do paciente e da família.

Uma possibilidade de intervenção é a escuta qualificada, que é considerada uma forma de acolhimento verbal ou não verbal do próprio paciente ou de seu acompanhante, tendo em vista os diversos sentidos que a internação pode trazer a estes [6]. Ao possibilitar ao indivíduo essa expressão de seus sentimentos e emoções, o psicólogo estará contribuindo para que ele possa elaborar e ressignificar suas vivências, tornando-os sujeitos ativos diante do processo de adoecimento[7].

Sendo assim, a atuação no hospital se dá de forma distinta da psicologia tradicional, uma vez que o psicólogo vai ao encontro do sujeito e, junto do mesmo, constrói a demanda de trabalho. Além disso, o profissional de Psicologia também pode atuar como um mediador entre os membros da equipe e o paciente, diversificando ainda mais as possibilidades de trabalho do psicólogo no campo hospitalar.

 

REFERÊNCIAS

[1] ALMEIDA, Raquel A. MALAGRIS, Lucia E. N. A prática da Psicologia da Saúde. Revista da SBPH, Rio de Janeiro, v. 14, n. 2, p. 183-202, jul./dez. 2011. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-08582011000200012>. Acesso em: 01 jun. 2017.

[2] CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA DO PARANÁ. Manual de Psicologia Hospitalar: manual. Curitiba: Unificado, 2007.

[3] MÄDER, Bruno Jardini. Psicologia hospitalar: considerações sobre assistência, ensino, pesquisa e gestão.1. ed. Curitiba: CRP-PR, 2016.

[4] BAPTISTA, Makilim Nunes; DIAS, Rosana Righetto. Psicologia Hospitalar: teoria, aplicações e casos clínicos. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012.

[5] CALVETT, P. Ü.; SILVA, L. M.; GAUER, G. J. C. Psicologia da saúde e criança hospitalizada. Psic, São Paulo, vol.9, n. 2, p. 229-234, dez. 2008. Disponível em: < http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1676-73142008000200011>. Acesso em: 01 abr. 2017.

[6] LAZARI, A. H. et al. Escuta e acolhimento como ferramentas de avaliação da satisfação do usuário de um hospital ensino. In: IX EPCC – ENCONTRO INTERNACIONAL DE PRODUÇÃO CIENTÍFICA UNICESUMAR, 9, 2015. Anais Eletrônicos. p. 4-8.

[7] ALCÂNTARA, T. V. et al. Intervenções psicológicas na sala de espera: estratégias no contexto da Oncologia Pediátrica. Rev. SBPH, Rio de Janeiro, vol.16, n. 2, p. 103-119, dez. 2013. Disponível em: < http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-08582013000200008>. Acesso em: 29 mar. 2017.

#BBB18 está para Big Brother ou Big Enemy?

Por Aline Marques

Muitos utilizam o termo “irmão” para um amigo ou uma pessoa muito especial. Os “irmãos” participantes do jogo, na verdade são rivais e acabam utilizando a “irmandade” como tática de jogo. Fazendo um comparativo com a realidade humana, muitas pessoas agem desta forma, mesmo não participando de um jogo típico. O “jogo” é a própria vida, e os laços de amizade podem servir de auxílio para muitas coisas como aumentar a credibilidade, melhorar o status social, conseguir um emprego, conquistar alguém, enfim. O fato é que dentro ou fora de um programa televisivo percebemos que as pessoas por vezes aproveitam da amizade para conseguir algo. Ou pior, “forçam” uma amizade para conseguir o que almejam.

A maioria dos participantes do Big Brother, relatam que mostram para o Brasil e para seus “amigos da casa” quem realmente são, que não precisam esconder nada de ninguém. Entretanto, mesmo entre os amigos mais próximos (close friends), ou para a família, a exposição do “eu verdadeiro” não é tão fácil assim[1].

A amizade é um relacionamento pessoal e voluntário, que propicia intimidade e ajuda, no qual as duas partes gostam uma da outra, buscam a companhia uma da outra sem interesses pessoais capazes de prejudicar a outra parte[2]. O que evidentemente não é o caso deste programa em específico.

Especificamente nesta edição do Big Brother Brasil (BBB18), existe uma família como participantes do jogo e moradores da casa (Família Lima). Esta família trouxe ao BBB18 grandes repercussões. Uma delas foi “o beijo de pai e filha” (Ana Clara e Ayrton). Percebe-se no pai, o comportamento de superproteção e Ana Clara demonstra-se muito passiva e obediente ao pai, mostra-se irritada apenas longe da presença dele. A superproteção permanente é certamente um limitador da liberdade e do desenvolvimento da autonomia, assim acaba-se obedecendo ao que lhe é pedido[3]. Hipoteticamente falando, esta superproteção pode ser a estratégia que Ayrton tem para vencer no jogo e garantir que esteja a frente de sua filha, a frase em que pode vir ao encontro desta hipótese é dita pelo próprio Ayrton para outro jogador (Mahmoud) “Minha maior rival aqui dentro é minha filha” (dita em 24/02/2018).

Dentro ou fora da televisão, são inúmeros comportamentos humanos a serem analisados e/ou estudados. O ser humano se comporta de diferentes maneiras em diferentes contextos com diferentes pessoas, e isso além de ser incrível, por vezes é cômico. Dá sim para aprender com o Big Brother, muitos criticam alguns dos participantes do BBB, entretanto não se dão conta que se comportam da mesma maneira “aqui fora”.

Observação: “Grande Irmão”, é uma referência ao livro “1984”, no qual a sociedade é comandada por uma figura criada como o símbolo de um governo totalitário. Nessa distopia, o grande irmão observa e vigia a todos em todos os lugares da cidade e da casa das pessoas, impedindo que hajam pensamentos contrários ao regime ou alianças políticas para depor o regime. Neste texto a autora aproveitou a tradução literal do nome para crítica pessoal.

Referências

[1] REZENDE, Claudia Barcellos. Mágoas de amizade: um ensaio em antropologia das emoções. Mana,  Rio de Janeiro ,  v. 8, n. 2, p. 69-89,  Oct.  2002 .   Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132002000200003&lng=en&nrm=iso>. access on  25  Feb.  2018.  http://dx.doi.org/10.1590/S0104-93132002000200003.

[2] SOUZA, Luciana Karine de; HUTZ, Claudio Simon. Relacionamentos pessoais e sociais: amizade em adultos. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 13, n. 2, p.257-265, jun. 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/pe/v13n2/a08v13n2>. Acesso em: 25 fev. 2018.

[3] KUNSCH, Clarice Krohling. Excesso de atividades, consumo e superproteção: possíveis fatores de tédio em crianças. Revista Veras, São Paulo, v. 4, n. 1, p.99-115, jun. 2014. Disponível em: <http://site.veracruz.edu.br/instituto/revistaveras/index.php/revistaveras/article/view/157/125>. Acesso em: 25 fev. 2018.

O TREINO DE HOJE #TÁPAGO: DÍVIDA COM QUEM?

Se o treino foi pago, é uma dívida? E, se for dívida, é com quem? A pergunta é simples, mas as respostas não.

Por: Fabiane Maria Schaefer Baron
Maísa Hodecker

A expressão “tá pago” está sendo utilizada constantemente entre os praticantes de atividades físicas. Normalmente, as pessoas utilizam a hashtag (#tapago) em fotos capturadas após algum treino ser finalizado, com a intenção de divulgar que todas as atividades físicas programadas para aquele treino foram realizadas com sucesso. Contudo, fica a reflexão: se o treino foi pago, é uma dívida? E, se for dívida, é com quem? A pergunta é simples, mas as respostas não. Dívida é alguma pendência, algo que está a haver com alguém. Neste caso, a dívida pode ser com a saúde, com a sociedade, com a mídia, consigo mesma, etc. Embora possam haver diversos fatores atrelados a essa dívida, se a pessoa precisa “pagar” para fazer algo, pode estar realizando o exercício errado.

Isto se justifica já que o exercício deve proporcionar bem-estar, prazer e qualidade de vida. Quando praticar o exercício passa a ser algo “pago”, maçante e tedioso, torna-se necessário modificar o treino ou o próprio exercício, para que a pessoa resgate a vontade de praticar exercício e não se sinta na obrigação de finalizar, mas finalize por questões de satisfação pessoal. Além disso, seria benéfico conversar informalmente com o praticante de exercício físico, buscando reconhecer que exercício ou treino mais se sente confortável em realizar e identificar quais os motivos associados a prática esportiva. Outro fator preponderante para a satisfação do indivíduo é o modo como o exercício ou treino é encaminhado e direcionado, isto é, o modo como o treinador ou professor está lidando com o praticante de exercício[1].

Todo praticante de exercício possui algum objetivo final. Uns pretendem ganhar massa muscular, outros perder gordura, outros melhorar o condicionamento físico, outros por questões pertinentes a saúde, mas todos possuem algum intuito. O papel do treinador/professor é acompanhar, orientar, instruir, visando o progresso do aluno até que sejam, enfim, alcançadas as metas e o objetivo final. No decorrer desse trajeto, é relevante que o treinador/professor esteja ciente de sua postura e expressões diante dos sucessos e fracassos de seus alunos. Aconselha-se uma postura neutra, sem privilegiar mais um do que outro, mas que reconheça quando o aluno conseguiu atingir uma meta ou objetivo e que também reconheça a luta de algum aluno mesmo diante de algum fracasso[2].

Acredita-se que esses fatores são apenas alguns que podem favorecer o treino ou a prática de exercício físicos para deixar de ser “uma dívida” extremamente desgastante para ser um fator associado ao bem-estar físico e psicológico. Assim, a motivação deve ser avaliada no contexto esportivo, os exercícios programados para cada aluno/atleta devem estar equiparados ao seu nível de motivação. Alunos extremamente motivados podem decair diante de algum fracasso ou de alguma expectativa não suprida. Para eles, é aconselhável criar um treino regular e com exercícios moderados, e aumentar o nível de dificuldade gradualmente. Já alunos com baixa motivação necessitam de exercícios que sejam de sua preferência, com acréscimo gradual de exercícios com maior dificuldade de realização. Dessa forma, a cada acerto ou a cada ganho relacionado ao exercício o nível de motivação do aluno poderá aumentar proporcionalmente[2].

Portanto, acredita-se que o constante uso da hashtag “tá pago” está atrelado a falta de motivação e/ou realização pessoal para realizar a prática esportiva ou determinados treinos. Modificar os treinos, a atividade física, o horário e duração dos treinos, bem como a própria postura do treinador/professor podem favorecer para que o treino seja mais prazeroso[2]. Ressalta-se que a expressão pode comunicar uma dívida para com outrem, como mídia, sociedade, como para consigo e para melhorar a saúde. Entretanto, as premissas apontam não são cabíveis de generalização, levando em conta que diversas pessoas podem fazer o uso da referida expressão mas sentirem-se confortáveis e realizadas pós-treino.

REFERÊNCIAS

[1] RUBIO, Katia. A psicologia do esporte: histórico e áreas de atuação e pesquisa. Psicologia: Ciência e Profissão, Brasília, v. 19, n. 3, p. 60-69, 1999. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98931999000300007&lng=en&nrm=iso>. Acessos em: 29 Jan. 2018.

[2] WEINBERG, Robert S.; GOULD, Daniel. Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2008.

O que as pessoas pensam do psicólogo

Por: Guilherme Silveira

A Psicologia tem se consolidado cada vez mais como uma área importante quando falamos de saúde, principalmente no que diz respeito à saúde mental. Juntamente com sua importância, surgem vários rótulos, muitos equivocados, que lhe são empregados e que a cada dia os profissionais desta área do conhecimento tentam desconstruir, para que assim consiga-se consolidar a Psicologia como uma ciência, deixando de lado às práticas e métodos que fogem do rigor científico e buscando sua validação por meio de práticas testadas e comprovadas. Sendo assim, iremos contextualizar, ainda que de forma breve, como surgiu e se desenvolveu a Psicologia no Brasil, assim como qual é a representação social do Psicólogo no cenário brasileiro.

A Psicologia por muitos anos teve seu conhecimento estritamente ligado aos da prática de outras disciplinas, como a sociologia, filosofia, direito, teologia, pedagogia e principalmente a medicina. Somente a partir do início do século XIX a Psicologia começou a ter sua autonomia no cenário nacional, começando então a ser ensinada na Faculdade de Direito de São Paulo. Após diversas lutas pela regulamentação da profissão de Psicólogo, no ano de 1953 surge o primeiro curso superior de Psicologia no Brasil, sendo realizado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Já no ano de 1962, por intermédio da lei n° 4119, a Psicologia e os cursos de graduação passam a serem regulamentados em nosso país, caracterizando assim a Psicologia como profissão e um grande passo para classe profissional [1].

Agora que compreendemos um pouco como surgiu e se regulamentou a Psicologia no Brasil, podemos nos perguntar, qual a verdadeira função de um Psicólogo? Pois bem, lembro-lhes que o objetivo principal deste texto não é problematizar ou discutir qual é a prática do Psicólogo, mas procurar identificar qual é o papel do Psicólogo na perspectiva da sociedade. Para tal feito nos basearemos em pesquisas que abordam a representação social do Psicólogo. A teoria das representações sociais é datada de 1950 e tem como criador Serge Moscovici. Para o criador desta teoria, as representações sociais são basicamente tudo aquilo que é construído em experiências coletivas ou individuais e que após essas experiências acabam se tornando uma forma de estereótipo a respeito de algo [2]. Um exemplo clássico, dentro da nossa discussão, é quando muitas pessoas dizem que o Psicólogo ‘cuida de gente louca’. As representações sociais são comumente construídas a partir de informações que são repassadas de diversas maneiras, entre as mais comuns estão às informações repassadas pelas mídias (televisão, rádio, jornais e redes sociais) e por informações repassadas através de gerações por intermédio de mitos e simples conversas que relatam experiências subjetivas [2].

Uma pesquisa realizada no estado do Rio Grande do Sul apontou que para grande parte dos entrevistados a prática do Psicólogo é a de ajudar e orientar pessoas com problemas emocionais [3]. Em outra pesquisa realizada com acadêmicos de cursos de exatas de uma clínica escola também no Rio Grande do Sul, 57% dos acadêmicos responderam que tem a representação social do Psicólogo como a de alguém que estuda a mente, compreende o comportamento e trata de pessoas que possuem algum tipo de doença mental [2]. Outra característica encontrada na mesma pesquisa é a de que o Psicólogo é aquele que tem o ‘dom’ de saber ouvir, de ter paciência, de entender as pessoas e saber se posicionar de forma neutra com relação aos mais diversos assuntos [2]. Ainda de acordo com os entrevistados, o Psicólogo tem uma atuação mais voltada para clínica e centros psiquiátricos, caracterizando assim o aspecto mencionado anteriormente de trabalhar com pessoas que possuem doenças mentais. Diante de tantas representações equivocadas ou falta de conhecimento sobre o fazer do Psicólogo, o que podemos fazer para transformar essa realidade? Como acabar com o rótulo de ‘cuidador de loucos’? E como fazer para que a sociedade veja a Psicologia além das práticas clínicas tradicionais?

Pois bem, muitas perguntas surgem e poucas respostas são encontradas efetivamente em prática. Discutir a atuação do Psicólogo e qual a representação social dos mesmos é algo muito mais complexo do que imaginamos. Devemos levar em consideração que muitas dessas representações sociais estão relacionadas estritamente ao momento político, histórico e econômico no qual nos encontramos. O certo é que para haver uma representação social correta do papel do Psicólogo necessita-se de uma grande mudança por parte dos próprios Psicólogos, desde lutar por seus direitos, se posicionar de uma forma crítica e correta com relação ao seu fazer, respeitando assim a ética da sua profissão e comprometendo-se com o bem estar social, a divulgação correta do conhecimento científico produzido pela Psicologia e instruindo de forma correta qual o fazer do Psicólogo nos seus mais diversos campos de atuação.

Referências:

[1] LISBOA, Felipe Stephan; BARBOSA, Altemir José Gonçalves. Formação em Psicologia no Brasil: Um Perfil dos Cursos de Graduação. Psicologia: Ciência e Profissão, Brasília, v. 29, n. 4, p. 718-737, 2009. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932009000400006> Acesso em: 17 Abr. 2016.

[2] LAHM, Camila Roberta; BOECKEL, Mariana Gonçalves. Representação Social do Psicólogo em uma Clínica-Escola do Município de Taquara/RS. Contextos Clínicos, São Leopoldo, v. 1, n. 2, p. 79-92, dez. 2009. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1983-34822008000200004&lng=pt&nrm=iso> Acesso em: 17 Abr. 2016.

[3] PRAÇA, Kátia Botelho Diamico; NOVAES, Heliane Guimarães Vieites. A Representação Social do Trabalho do Psicólogo. Psicologia: Ciência e Profissão, Brasília, v. 24, n. 2, p. 32-47, jun. 2004. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932004000200005&lng=pt&nrm=iso> Acesso em: 17 Abr. 2016.

Dia do psicólogo

Neste dia, a profissão realiza 53 anos de regulamentação no Brasil. Aproveitamos para parabenizar todos os psicólogos brasileiros e principalmente os Docentes que contribuem para a formação de novos psicólogos com responsabilidade crítica para fortalecer a profissão no país.

Feliz dia Psicológico!

 

Semana de Psicologia

No dia 27 de agosto se comemora o dia do psicólogo no Brasil, já que neste dia, em 1962, a psicologia foi reconhecida como profissão.

Para comemorar esta data o curso de psicologia da Unifebe está promovendo e convidando a comunidade para participar de um evento que contará com três dias de atividades a acontecer no Campus Santa Terezinha do Centro Universitário de Brusque.

Segue abaixo a programação:

DIA 23/08/2014

Panfletagem na Praça Barão de Schneeburg e semáforo no centro de Brusque/SC – tema: “Quando procurar ajuda”.

Horário: 8h às 11h30min

Dia 27/08/14

Mesa redonda – O que o mercado espera do profissional de psicologia em diferentes áreas.

Local : auditório da Instituição, campus Santa Terezinha – Brusque/SC

Horário: 18h30min

Confraternização em comemoração ao dia do Psicólogo – átrio bloco C- Campus Santa Terezinha.

Horário: 20h30min

Dia 28/08/14

Palestra com Dr. Emílio Takase da UFSC – “Neurotecnologias Aplicadas à Educação e Psicologia”

Local: auditório da Instituição, campus Santa Terezinha – Brusque/SC

Horário: 19h

Dia 29/08/14

Oficinas:

– Danças Circulares (para acadêmicos de Psicologia)

– Implantando Neuroacademia

– Abordagem Cognitivo Comportamental – Teoria e Prática (para acadêmicos de Psicologia)

– Dinâmica familiar – oficina para pais de acadêmicos do Curso de Psicologia e comunidade

Para se inscrever utilize o formulário.

Horário: 19h

Para maiores informações, entrar em contato pelo telefone (47) 3211-7215/7218

ou pelo e-mail: coordenacao@unifebe.edu.br

II Semana de Psicologia da Unifebe

O curso de Psicologia da Unifebe anuncia a sua segunda semana acadêmica com atrações para toda a comunidade.

Dentre os acontecimentos, teremos a palestra:

palestra

 

Entre outras coisas, teremos também a primeiro Psicobalada! Reserve seu ingresso com os acadêmicos do curso de Psicologia:

30 de agosto

Beira Rio Lounge Bar