O desenvolvimento da inteligência emocional na educação infantil

por Nadine Cestari Suavi

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), no capítulo relacionado ao tema transversal saúde, sugerem que toda escola deve incorporar os princípios de promoção da saúde indicados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), com os objetivos de promover a saúde e o aprendizado em todos os momentos; incluir profissionais de saúde, educação, pais, alunos e membros da comunidade, no esforço de transformar a escola em um ambiente saudável; efetuar práticas que respeitem o bem-estar e a dignidade individuais e realizar políticas que garantam o bem-estar individual e coletivo, oferecendo oportunidades de crescimento e desenvolvimento em um ambiente saudável, com a participação dos setores da saúde e educação, família e comunidade[1].
A educação sempre foi cercada de expectativas de transformação e desenvolvimento do ser humano ao ser realizada com liberdade, contribuindo com a solidariedade e a vida em comunidade, com amor e respeito entre os indivíduos. Simultaneamente, vemos professores e estudantes vivendo uma fase marcada por dificuldades, incertezas e com valores humanistas ausentes. Muito se vê sobre violência nas famílias, nas escolas e na sociedade. Esse contexto leva a refletir sobre as emoções e o quanto o desenvolvimento da inteligência emocional pode contribuir para o processo de ensino-aprendizagem e para uma melhor desenvoltura na vida pessoal, favorecendo o equilíbrio entre aspectos cognitivos racionais e emocionais do estudante[2].
Para Goleman[3], um indivíduo emocionalmente inteligente é aquele que possui uma atitude positiva frente à vida, dando um maior valor para os aspectos positivos do que para os negativos, criando um equilíbrio entre tolerância e exigência. Além disso, possui a capacidade de empatia, sendo capaz de se colocar no lugar do outro.
Goleman[3] afirma que, de forma particular, a escola deve apostar na formação de competências sociais e emocionais, pois é um local onde crianças e adolescentes passam a maior parte do seu tempo, fazendo com que seja um dos maiores agentes de socialização; porém, nem tudo é fácil. As dificuldades com relação à implementação podem ter ligação com a dificuldade que alguns professores sentem na abordagem de temas pessoais e subjetivos, levando em conta que se trata de assuntos de cunho familiar. Ainda pode ocorrer a resistência de alguns alunos por sentirem como se sua intimidade estivesse sendo invadida ou até mesmo por acharem que os temas não são particularmente interessantes para si. Outro aspecto a ser considerado é a importância que deve ser dada com vista à manutenção da qualidade educacional implícito às emoções.
A inteligência emocional leva em consideração a percepção, a avaliação e a expressão das emoções, pela predisposição que o indivíduo tem de identificar suas próprias emoções ou a de outras pessoas, por meio de sua linguagem, aparência e comportamento. A mesma é caracterizada como uma capacidade referente à facilitação do ato de pensar. As emoções voltam a atenção para informações importantes ao pensamento e são utilizadas como auxílio para julgamentos e sentimentos[4].
A inteligência emocional auxilia na compreensão e na análise das emoções e emprega o conhecimento emocional, pois possibilita reconhecer as relações entre as palavras e as emoções em si e possibilita, também, compreender os significados que as emoções transmitem como, por exemplo, a tristeza geralmente acompanhada de uma perda e a raiva geralmente acompanhada de uma frustração. Também permite o controle reflexivo das emoções para proporcionar o crescimento emocional e intelectual, quando o indivíduo se mantém aberto a seus sentimentos, agradáveis ou não, podendo se envolver com eles por meio da reflexão ou se distanciar deles, desviando a atenção para outros objetos de pensamento[4].
Deste modo, a Educação Emocional em meio escolar tem como objetivo atuar de forma preventiva, pois quando o aluno desenvolve competências pessoais e sociais se torna capaz de avaliar, expressar e adequar as suas emoções, comportamentos e atitudes. Por meio da Educação Emocional o indivíduo adquire e/ou desenvolve a habilidade para identificar suas emoções e as de outras pessoas. Um processo de introspecção permite a adequação do expressar das suas emoções e sentimentos, dando a capacidade para distinguir entre o que é apropriado para cada contexto, mesmo se tratando de um cenário desfavorável[4].
A escola não pode se limitar a ser unicamente um centro de transmissão de conhecimentos sistemáticos voltados somente para o desenvolvimento cognitivo de seus alunos. Faz-se necessário que a escola e os professores repensem sua prática com relação à importância de promover o ajuste emocional de seus alunos. Assim, a escola partiria de uma visão uniforme da mente para uma visão mais ampla, definida por Gardner como uma escola mais humanista, o que envolve todos os âmbitos e não somente os aspectos cognitivos[5].
Sendo assim, o desenvolvimento da inteligência emocional proporcionado pela escola faz com que ela tenha o papel de espaço multiplicador de indivíduos que pensam; que tenham qualidade de vida e que saibam administrar esses pensamentos; que reflitam antes de reagir em determinada situação; que sejam capazes de se colocarem no lugar dos outros; que expressem e avaliem suas emoções, identificando-as e as controlando para solucionarem problemas surgidos nas mais diversas situações do cotidiano, seja no âmbito familiar e/ou escolar.

REFERÊNCIAS

[1] GONÇALVES, Fernanda Denardin, et al. A promoção da saúde na educação infantil. Interface – Comunic., Saúde, Educ., Fortaleza, v. 12, n. 24, p. 181-192, 2008.

[2] RÊGO, Claudia Carla de Azevedo Brunelli; ROCHA, Nívea Maria Fraga. Avaliando a educação emocional: subsídios para um repensar da sala de aula. Ensaio: aval. pol. públ. Educ., Rio de Janeiro, v. 17, n. 62, p. 135-152, 2009.

[3] GOLEMAN, Daniel. Inteligência emocional: a teoria revolucionário que redefine o que é ser inteligente. 35. ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 1995.

[4] SANTOS, Jair de Oliveira. Educação emocional na escola: a emoção na sala de aula. 2. ed. Salvador, 2000.

[5] SILVA, ANTONIO CARLOS RIBEIRO DA; SILVA, GIDELIA ALENCAR DA. A educação emocional e o preparo do profissional docente. In: CONGRESSO INTERNACIONAL GALEGO-PORTUGUÊS DE PSICOPEDAGOGIA, 10., 2009, Braga.

O PERÍODO GESTACIONAL PARA A MULHER

Por Ana Cristina Heiderscheidt Silveira e Giovana Hoffmann

A gravidez faz parte do ciclo vital de muitas mulheres e ocasiona grandes mudanças em sua vida. É a partir da gravidez que ela deixa de ser apenas mulher, para adquirir o papel social de mãe. Por ser um período de grandes transformações psíquicas e um período de transição, demanda um suporte a essas mulheres dos profissionais de saúde durante essa fase [1].

É na primeira consulta com o médico que a mãe busca tirar as primeiras dúvidas acerca da gestação, certificar se está realmente grávida, se seu corpo está preparado para esse bebê, se está tudo bem com a saúde desse bebê, bem como as ansiedades e dúvidas sobre o futuro da gestação. O profissional deve reconhecer que esse é um período de ambivalência na vida da mulher. Toda gestante quer e não quer estar grávida, pois neste período ansiedades e medos primitivos afloram, o que demanda do profissional compreender este período sem julgamentos [1].

Nesse processo, o psicólogo poderia auxiliar acolhendo esta mulher frente às incertezas apresentadas por ela. Ele também deve levar em conta que cada mulher vive a gestação de forma única, então deve olhar para sua subjetividade. Com o acompanhamento psicológico durante a gravidez, o psicólogo poderá esclarecer possíveis dúvidas que ficaram após a consulta com o médico, e ajudá-la a reconhecer de forma clara seus sentimentos e emoções [2].

Com o passar dos meses, novas dúvidas e ansiedades surgem na gestante. O primeiro trimestre é no qual geralmente ocorrem alterações de humor devido às mudanças hormonais e psicológicas, enjoos, as primeiras modificações corporais, entre outros [4]. No segundo trimestre é quando acontecem os primeiros movimentos do feto e a mulher sente seu bebê concretamente. Também é nesse período que ocorrem mudanças no desejo sexual.

Já no terceiro trimestre, começam a surgir ansiedades e medos com o parto que se aproxima, e as queixas físicas começam a aumentar. É de extrema importância o profissional estar atento a essas mudanças e proporcionar uma escuta acolhedora, tomando cuidado para não ter uma fala muito técnica, dificultando a compreensão desta mulher [4].  

No parto ocorre a transição entre a gravidez e o puerpério, é um período curto, porém marcado por grandes emoções e mudanças. Com o parto diversos medos começam a surgir, como o medo da dor que está por vir, o medo do bebê nascer e rasgar sua genitália, entre outros. A escolha entre os diversos tipos de partos (cesárea, normal, natural e humanizado) também geram dúvidas entre essas mulheres; questões religiosas e culturais também podem afetar na escolha do parto, causando insegurança e o medo de não ser capaz de gerar o bebê. O hospital também pode representar anseios para essa mulher, afinal é um ambiente desconhecido e por isso deve ser um local onde se sinta acolhida [3].   

O parto então é um fato social, no qual surge um novo ser humano. Ele é considerado um processo psicossomático, rodeado por idealizações e anseios; demanda dos profissionais orientar, fortalecer, escutar e esclarecer sobre as diversas questões que aparecem nesse momento. Esses esclarecimentos são importantes para o bem estar da mulher e possibilitam que ela possa enfrentar essas mudanças de forma mais equilibrada [3].

REFERÊNCIAS

[1] ALVES, C. F. et al. Intervenção Psicológica no período pós-parto em uma maternidade. Disponível em: http://online.unisc.br/acadnet/anais/index.php/jornada_psicologia/article/view/10213. Acesso em: 16 mai. 2018.

[2] FLECK, A. O bebê imaginário e o bebê real no contexto da prematuridade. Disponível em: http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/37208/000820507.pdf?. Acesso em: 16 mai. 2018.

[3] MALDONADO, M. T. Psicologia da Gravidez: parto e puerpério. 14 ed. Rio de Janeiro: Editora Saraiva, 1997.

[4] SARAMENTO, R. SETUBAL, M. S. V. Abordagem psicológica em obstetrícia: aspectos emocionais da gravidez, parto e puerpério. Disponível em:  http://periodicos.puc-campinas.edu.br/seer/index.php/cienciasmedicas/article/viewFile/1260/1235. Acesso em: 16 mai. 2018.

AS ATRIBUIÇÕES DO PSICÓLOGO HOSPITALAR

Por Stefanie Debatin

O Brasil é considerado um dos países pioneiros no desenvolvimento de uma nova especialidade na área da Psicologia, a Psicologia Hospitalar que surge em meados da década de 80. Este termo é utilizado para nomear as atividades do psicólogo da saúde em hospitais, onde se fazem presentes os processos doença-internação-tratamento, mediados pela relação doente-família-equipe. Portanto, os alicerces da Psicologia Hospitalar são a construção e a execução de teorias e técnicas específicas voltadas às pessoas hospitalizadas[1].

De acordo com o Conselho Regional de Psicologia do Paraná[2], o objetivo geral da Psicologia Hospitalar é pautado no acolhimento e no trabalho com pacientes de qualquer faixa etária, bem como com suas famílias, que estão em sofrimento psíquico decorrente da sua patologia, internação e tratamento.

Em relação aos fazeres do psicólogo hospitalar frente ao adoecimento e à internação, este atua como um facilitador da comunicação e da expressão do ser por meio da linguagem. Em conjunto com a equipe multidisciplinar, a melhora da comunicação serve de auxílio para a tomada de decisões e encaminhamentos frente às dificuldades apresentadas pelos pacientes e sua família. O psicólogo também pode atuar como um mediador entre os membros da equipe ou até mesmo entre a equipe e o paciente, com a finalidade de reduzir o estresse que é muito comum neste local[3].

O psicólogo hospitalar deve ser um observador qualificado, que interpreta os anseios do paciente, tornando-se um responsável sobre as transformações no processo de recuperação. Quando o paciente for uma criança, por exemplo, é imprescindível que se considere outras questões como as reações de cada uma delas, características ambientais e do período evolutivo no qual ela se encontra naquele determinado momento [4]. É muito importante que o profissional de Psicologia tenha conhecimento das fases da infância, para que ele se atente à saúde do paciente de forma integral e não focalizada[5].

Mäder[3] afirma que é preciso considerar que o psicólogo não lida somente com o sofrimento do paciente, mas também com a família e até mesmo com outros profissionais envolvidos, favorecendo o enfrentamento da doença por todos. O profissional de Psicologia é capaz de oferecer suporte psicológico para os familiares da criança internada, uma vez que cada membro pode manifestar as mais diversas reações diante daquele momento. As técnicas que o psicólogo usa, varia de caso para caso, respeitando a necessidade do paciente e da família.

Uma possibilidade de intervenção é a escuta qualificada, que é considerada uma forma de acolhimento verbal ou não verbal do próprio paciente ou de seu acompanhante, tendo em vista os diversos sentidos que a internação pode trazer a estes [6]. Ao possibilitar ao indivíduo essa expressão de seus sentimentos e emoções, o psicólogo estará contribuindo para que ele possa elaborar e ressignificar suas vivências, tornando-os sujeitos ativos diante do processo de adoecimento[7].

Sendo assim, a atuação no hospital se dá de forma distinta da psicologia tradicional, uma vez que o psicólogo vai ao encontro do sujeito e, junto do mesmo, constrói a demanda de trabalho. Além disso, o profissional de Psicologia também pode atuar como um mediador entre os membros da equipe e o paciente, diversificando ainda mais as possibilidades de trabalho do psicólogo no campo hospitalar.

 

REFERÊNCIAS

[1] ALMEIDA, Raquel A. MALAGRIS, Lucia E. N. A prática da Psicologia da Saúde. Revista da SBPH, Rio de Janeiro, v. 14, n. 2, p. 183-202, jul./dez. 2011. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-08582011000200012>. Acesso em: 01 jun. 2017.

[2] CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA DO PARANÁ. Manual de Psicologia Hospitalar: manual. Curitiba: Unificado, 2007.

[3] MÄDER, Bruno Jardini. Psicologia hospitalar: considerações sobre assistência, ensino, pesquisa e gestão.1. ed. Curitiba: CRP-PR, 2016.

[4] BAPTISTA, Makilim Nunes; DIAS, Rosana Righetto. Psicologia Hospitalar: teoria, aplicações e casos clínicos. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012.

[5] CALVETT, P. Ü.; SILVA, L. M.; GAUER, G. J. C. Psicologia da saúde e criança hospitalizada. Psic, São Paulo, vol.9, n. 2, p. 229-234, dez. 2008. Disponível em: < http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1676-73142008000200011>. Acesso em: 01 abr. 2017.

[6] LAZARI, A. H. et al. Escuta e acolhimento como ferramentas de avaliação da satisfação do usuário de um hospital ensino. In: IX EPCC – ENCONTRO INTERNACIONAL DE PRODUÇÃO CIENTÍFICA UNICESUMAR, 9, 2015. Anais Eletrônicos. p. 4-8.

[7] ALCÂNTARA, T. V. et al. Intervenções psicológicas na sala de espera: estratégias no contexto da Oncologia Pediátrica. Rev. SBPH, Rio de Janeiro, vol.16, n. 2, p. 103-119, dez. 2013. Disponível em: < http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-08582013000200008>. Acesso em: 29 mar. 2017.

#BBB18 está para Big Brother ou Big Enemy?

Por Aline Marques

Muitos utilizam o termo “irmão” para um amigo ou uma pessoa muito especial. Os “irmãos” participantes do jogo, na verdade são rivais e acabam utilizando a “irmandade” como tática de jogo. Fazendo um comparativo com a realidade humana, muitas pessoas agem desta forma, mesmo não participando de um jogo típico. O “jogo” é a própria vida, e os laços de amizade podem servir de auxílio para muitas coisas como aumentar a credibilidade, melhorar o status social, conseguir um emprego, conquistar alguém, enfim. O fato é que dentro ou fora de um programa televisivo percebemos que as pessoas por vezes aproveitam da amizade para conseguir algo. Ou pior, “forçam” uma amizade para conseguir o que almejam.

A maioria dos participantes do Big Brother, relatam que mostram para o Brasil e para seus “amigos da casa” quem realmente são, que não precisam esconder nada de ninguém. Entretanto, mesmo entre os amigos mais próximos (close friends), ou para a família, a exposição do “eu verdadeiro” não é tão fácil assim[1].

A amizade é um relacionamento pessoal e voluntário, que propicia intimidade e ajuda, no qual as duas partes gostam uma da outra, buscam a companhia uma da outra sem interesses pessoais capazes de prejudicar a outra parte[2]. O que evidentemente não é o caso deste programa em específico.

Especificamente nesta edição do Big Brother Brasil (BBB18), existe uma família como participantes do jogo e moradores da casa (Família Lima). Esta família trouxe ao BBB18 grandes repercussões. Uma delas foi “o beijo de pai e filha” (Ana Clara e Ayrton). Percebe-se no pai, o comportamento de superproteção e Ana Clara demonstra-se muito passiva e obediente ao pai, mostra-se irritada apenas longe da presença dele. A superproteção permanente é certamente um limitador da liberdade e do desenvolvimento da autonomia, assim acaba-se obedecendo ao que lhe é pedido[3]. Hipoteticamente falando, esta superproteção pode ser a estratégia que Ayrton tem para vencer no jogo e garantir que esteja a frente de sua filha, a frase em que pode vir ao encontro desta hipótese é dita pelo próprio Ayrton para outro jogador (Mahmoud) “Minha maior rival aqui dentro é minha filha” (dita em 24/02/2018).

Dentro ou fora da televisão, são inúmeros comportamentos humanos a serem analisados e/ou estudados. O ser humano se comporta de diferentes maneiras em diferentes contextos com diferentes pessoas, e isso além de ser incrível, por vezes é cômico. Dá sim para aprender com o Big Brother, muitos criticam alguns dos participantes do BBB, entretanto não se dão conta que se comportam da mesma maneira “aqui fora”.

Observação: “Grande Irmão”, é uma referência ao livro “1984”, no qual a sociedade é comandada por uma figura criada como o símbolo de um governo totalitário. Nessa distopia, o grande irmão observa e vigia a todos em todos os lugares da cidade e da casa das pessoas, impedindo que hajam pensamentos contrários ao regime ou alianças políticas para depor o regime. Neste texto a autora aproveitou a tradução literal do nome para crítica pessoal.

Referências

[1] REZENDE, Claudia Barcellos. Mágoas de amizade: um ensaio em antropologia das emoções. Mana,  Rio de Janeiro ,  v. 8, n. 2, p. 69-89,  Oct.  2002 .   Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132002000200003&lng=en&nrm=iso>. access on  25  Feb.  2018.  http://dx.doi.org/10.1590/S0104-93132002000200003.

[2] SOUZA, Luciana Karine de; HUTZ, Claudio Simon. Relacionamentos pessoais e sociais: amizade em adultos. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 13, n. 2, p.257-265, jun. 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/pe/v13n2/a08v13n2>. Acesso em: 25 fev. 2018.

[3] KUNSCH, Clarice Krohling. Excesso de atividades, consumo e superproteção: possíveis fatores de tédio em crianças. Revista Veras, São Paulo, v. 4, n. 1, p.99-115, jun. 2014. Disponível em: <http://site.veracruz.edu.br/instituto/revistaveras/index.php/revistaveras/article/view/157/125>. Acesso em: 25 fev. 2018.

O TREINO DE HOJE #TÁPAGO: DÍVIDA COM QUEM?

Se o treino foi pago, é uma dívida? E, se for dívida, é com quem? A pergunta é simples, mas as respostas não.

Por: Fabiane Maria Schaefer Baron
Maísa Hodecker

A expressão “tá pago” está sendo utilizada constantemente entre os praticantes de atividades físicas. Normalmente, as pessoas utilizam a hashtag (#tapago) em fotos capturadas após algum treino ser finalizado, com a intenção de divulgar que todas as atividades físicas programadas para aquele treino foram realizadas com sucesso. Contudo, fica a reflexão: se o treino foi pago, é uma dívida? E, se for dívida, é com quem? A pergunta é simples, mas as respostas não. Dívida é alguma pendência, algo que está a haver com alguém. Neste caso, a dívida pode ser com a saúde, com a sociedade, com a mídia, consigo mesma, etc. Embora possam haver diversos fatores atrelados a essa dívida, se a pessoa precisa “pagar” para fazer algo, pode estar realizando o exercício errado.

Isto se justifica já que o exercício deve proporcionar bem-estar, prazer e qualidade de vida. Quando praticar o exercício passa a ser algo “pago”, maçante e tedioso, torna-se necessário modificar o treino ou o próprio exercício, para que a pessoa resgate a vontade de praticar exercício e não se sinta na obrigação de finalizar, mas finalize por questões de satisfação pessoal. Além disso, seria benéfico conversar informalmente com o praticante de exercício físico, buscando reconhecer que exercício ou treino mais se sente confortável em realizar e identificar quais os motivos associados a prática esportiva. Outro fator preponderante para a satisfação do indivíduo é o modo como o exercício ou treino é encaminhado e direcionado, isto é, o modo como o treinador ou professor está lidando com o praticante de exercício[1].

Todo praticante de exercício possui algum objetivo final. Uns pretendem ganhar massa muscular, outros perder gordura, outros melhorar o condicionamento físico, outros por questões pertinentes a saúde, mas todos possuem algum intuito. O papel do treinador/professor é acompanhar, orientar, instruir, visando o progresso do aluno até que sejam, enfim, alcançadas as metas e o objetivo final. No decorrer desse trajeto, é relevante que o treinador/professor esteja ciente de sua postura e expressões diante dos sucessos e fracassos de seus alunos. Aconselha-se uma postura neutra, sem privilegiar mais um do que outro, mas que reconheça quando o aluno conseguiu atingir uma meta ou objetivo e que também reconheça a luta de algum aluno mesmo diante de algum fracasso[2].

Acredita-se que esses fatores são apenas alguns que podem favorecer o treino ou a prática de exercício físicos para deixar de ser “uma dívida” extremamente desgastante para ser um fator associado ao bem-estar físico e psicológico. Assim, a motivação deve ser avaliada no contexto esportivo, os exercícios programados para cada aluno/atleta devem estar equiparados ao seu nível de motivação. Alunos extremamente motivados podem decair diante de algum fracasso ou de alguma expectativa não suprida. Para eles, é aconselhável criar um treino regular e com exercícios moderados, e aumentar o nível de dificuldade gradualmente. Já alunos com baixa motivação necessitam de exercícios que sejam de sua preferência, com acréscimo gradual de exercícios com maior dificuldade de realização. Dessa forma, a cada acerto ou a cada ganho relacionado ao exercício o nível de motivação do aluno poderá aumentar proporcionalmente[2].

Portanto, acredita-se que o constante uso da hashtag “tá pago” está atrelado a falta de motivação e/ou realização pessoal para realizar a prática esportiva ou determinados treinos. Modificar os treinos, a atividade física, o horário e duração dos treinos, bem como a própria postura do treinador/professor podem favorecer para que o treino seja mais prazeroso[2]. Ressalta-se que a expressão pode comunicar uma dívida para com outrem, como mídia, sociedade, como para consigo e para melhorar a saúde. Entretanto, as premissas apontam não são cabíveis de generalização, levando em conta que diversas pessoas podem fazer o uso da referida expressão mas sentirem-se confortáveis e realizadas pós-treino.

REFERÊNCIAS

[1] RUBIO, Katia. A psicologia do esporte: histórico e áreas de atuação e pesquisa. Psicologia: Ciência e Profissão, Brasília, v. 19, n. 3, p. 60-69, 1999. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98931999000300007&lng=en&nrm=iso>. Acessos em: 29 Jan. 2018.

[2] WEINBERG, Robert S.; GOULD, Daniel. Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2008.

O que as pessoas pensam do psicólogo

Por: Guilherme Silveira

A Psicologia tem se consolidado cada vez mais como uma área importante quando falamos de saúde, principalmente no que diz respeito à saúde mental. Juntamente com sua importância, surgem vários rótulos, muitos equivocados, que lhe são empregados e que a cada dia os profissionais desta área do conhecimento tentam desconstruir, para que assim consiga-se consolidar a Psicologia como uma ciência, deixando de lado às práticas e métodos que fogem do rigor científico e buscando sua validação por meio de práticas testadas e comprovadas. Sendo assim, iremos contextualizar, ainda que de forma breve, como surgiu e se desenvolveu a Psicologia no Brasil, assim como qual é a representação social do Psicólogo no cenário brasileiro.

A Psicologia por muitos anos teve seu conhecimento estritamente ligado aos da prática de outras disciplinas, como a sociologia, filosofia, direito, teologia, pedagogia e principalmente a medicina. Somente a partir do início do século XIX a Psicologia começou a ter sua autonomia no cenário nacional, começando então a ser ensinada na Faculdade de Direito de São Paulo. Após diversas lutas pela regulamentação da profissão de Psicólogo, no ano de 1953 surge o primeiro curso superior de Psicologia no Brasil, sendo realizado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Já no ano de 1962, por intermédio da lei n° 4119, a Psicologia e os cursos de graduação passam a serem regulamentados em nosso país, caracterizando assim a Psicologia como profissão e um grande passo para classe profissional [1].

Agora que compreendemos um pouco como surgiu e se regulamentou a Psicologia no Brasil, podemos nos perguntar, qual a verdadeira função de um Psicólogo? Pois bem, lembro-lhes que o objetivo principal deste texto não é problematizar ou discutir qual é a prática do Psicólogo, mas procurar identificar qual é o papel do Psicólogo na perspectiva da sociedade. Para tal feito nos basearemos em pesquisas que abordam a representação social do Psicólogo. A teoria das representações sociais é datada de 1950 e tem como criador Serge Moscovici. Para o criador desta teoria, as representações sociais são basicamente tudo aquilo que é construído em experiências coletivas ou individuais e que após essas experiências acabam se tornando uma forma de estereótipo a respeito de algo [2]. Um exemplo clássico, dentro da nossa discussão, é quando muitas pessoas dizem que o Psicólogo ‘cuida de gente louca’. As representações sociais são comumente construídas a partir de informações que são repassadas de diversas maneiras, entre as mais comuns estão às informações repassadas pelas mídias (televisão, rádio, jornais e redes sociais) e por informações repassadas através de gerações por intermédio de mitos e simples conversas que relatam experiências subjetivas [2].

Uma pesquisa realizada no estado do Rio Grande do Sul apontou que para grande parte dos entrevistados a prática do Psicólogo é a de ajudar e orientar pessoas com problemas emocionais [3]. Em outra pesquisa realizada com acadêmicos de cursos de exatas de uma clínica escola também no Rio Grande do Sul, 57% dos acadêmicos responderam que tem a representação social do Psicólogo como a de alguém que estuda a mente, compreende o comportamento e trata de pessoas que possuem algum tipo de doença mental [2]. Outra característica encontrada na mesma pesquisa é a de que o Psicólogo é aquele que tem o ‘dom’ de saber ouvir, de ter paciência, de entender as pessoas e saber se posicionar de forma neutra com relação aos mais diversos assuntos [2]. Ainda de acordo com os entrevistados, o Psicólogo tem uma atuação mais voltada para clínica e centros psiquiátricos, caracterizando assim o aspecto mencionado anteriormente de trabalhar com pessoas que possuem doenças mentais. Diante de tantas representações equivocadas ou falta de conhecimento sobre o fazer do Psicólogo, o que podemos fazer para transformar essa realidade? Como acabar com o rótulo de ‘cuidador de loucos’? E como fazer para que a sociedade veja a Psicologia além das práticas clínicas tradicionais?

Pois bem, muitas perguntas surgem e poucas respostas são encontradas efetivamente em prática. Discutir a atuação do Psicólogo e qual a representação social dos mesmos é algo muito mais complexo do que imaginamos. Devemos levar em consideração que muitas dessas representações sociais estão relacionadas estritamente ao momento político, histórico e econômico no qual nos encontramos. O certo é que para haver uma representação social correta do papel do Psicólogo necessita-se de uma grande mudança por parte dos próprios Psicólogos, desde lutar por seus direitos, se posicionar de uma forma crítica e correta com relação ao seu fazer, respeitando assim a ética da sua profissão e comprometendo-se com o bem estar social, a divulgação correta do conhecimento científico produzido pela Psicologia e instruindo de forma correta qual o fazer do Psicólogo nos seus mais diversos campos de atuação.

Referências:

[1] LISBOA, Felipe Stephan; BARBOSA, Altemir José Gonçalves. Formação em Psicologia no Brasil: Um Perfil dos Cursos de Graduação. Psicologia: Ciência e Profissão, Brasília, v. 29, n. 4, p. 718-737, 2009. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932009000400006> Acesso em: 17 Abr. 2016.

[2] LAHM, Camila Roberta; BOECKEL, Mariana Gonçalves. Representação Social do Psicólogo em uma Clínica-Escola do Município de Taquara/RS. Contextos Clínicos, São Leopoldo, v. 1, n. 2, p. 79-92, dez. 2009. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1983-34822008000200004&lng=pt&nrm=iso> Acesso em: 17 Abr. 2016.

[3] PRAÇA, Kátia Botelho Diamico; NOVAES, Heliane Guimarães Vieites. A Representação Social do Trabalho do Psicólogo. Psicologia: Ciência e Profissão, Brasília, v. 24, n. 2, p. 32-47, jun. 2004. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932004000200005&lng=pt&nrm=iso> Acesso em: 17 Abr. 2016.

Dia do psicólogo

Neste dia, a profissão realiza 53 anos de regulamentação no Brasil. Aproveitamos para parabenizar todos os psicólogos brasileiros e principalmente os Docentes que contribuem para a formação de novos psicólogos com responsabilidade crítica para fortalecer a profissão no país.

Feliz dia Psicológico!

 

Semana de Psicologia

No dia 27 de agosto se comemora o dia do psicólogo no Brasil, já que neste dia, em 1962, a psicologia foi reconhecida como profissão.

Para comemorar esta data o curso de psicologia da Unifebe está promovendo e convidando a comunidade para participar de um evento que contará com três dias de atividades a acontecer no Campus Santa Terezinha do Centro Universitário de Brusque.

Segue abaixo a programação:

DIA 23/08/2014

Panfletagem na Praça Barão de Schneeburg e semáforo no centro de Brusque/SC – tema: “Quando procurar ajuda”.

Horário: 8h às 11h30min

Dia 27/08/14

Mesa redonda – O que o mercado espera do profissional de psicologia em diferentes áreas.

Local : auditório da Instituição, campus Santa Terezinha – Brusque/SC

Horário: 18h30min

Confraternização em comemoração ao dia do Psicólogo – átrio bloco C- Campus Santa Terezinha.

Horário: 20h30min

Dia 28/08/14

Palestra com Dr. Emílio Takase da UFSC – “Neurotecnologias Aplicadas à Educação e Psicologia”

Local: auditório da Instituição, campus Santa Terezinha – Brusque/SC

Horário: 19h

Dia 29/08/14

Oficinas:

– Danças Circulares (para acadêmicos de Psicologia)

– Implantando Neuroacademia

– Abordagem Cognitivo Comportamental – Teoria e Prática (para acadêmicos de Psicologia)

– Dinâmica familiar – oficina para pais de acadêmicos do Curso de Psicologia e comunidade

Para se inscrever utilize o formulário.

Horário: 19h

Para maiores informações, entrar em contato pelo telefone (47) 3211-7215/7218

ou pelo e-mail: coordenacao@unifebe.edu.br

II Semana de Psicologia da Unifebe

O curso de Psicologia da Unifebe anuncia a sua segunda semana acadêmica com atrações para toda a comunidade.

Dentre os acontecimentos, teremos a palestra:

palestra

 

Entre outras coisas, teremos também a primeiro Psicobalada! Reserve seu ingresso com os acadêmicos do curso de Psicologia:

30 de agosto

Beira Rio Lounge Bar