#BBB18 está para Big Brother ou Big Enemy?

Por Aline Marques

Muitos utilizam o termo “irmão” para um amigo ou uma pessoa muito especial. Os “irmãos” participantes do jogo, na verdade são rivais e acabam utilizando a “irmandade” como tática de jogo. Fazendo um comparativo com a realidade humana, muitas pessoas agem desta forma, mesmo não participando de um jogo típico. O “jogo” é a própria vida, e os laços de amizade podem servir de auxílio para muitas coisas como aumentar a credibilidade, melhorar o status social, conseguir um emprego, conquistar alguém, enfim. O fato é que dentro ou fora de um programa televisivo percebemos que as pessoas por vezes aproveitam da amizade para conseguir algo. Ou pior, “forçam” uma amizade para conseguir o que almejam.

A maioria dos participantes do Big Brother, relatam que mostram para o Brasil e para seus “amigos da casa” quem realmente são, que não precisam esconder nada de ninguém. Entretanto, mesmo entre os amigos mais próximos (close friends), ou para a família, a exposição do “eu verdadeiro” não é tão fácil assim[1].

A amizade é um relacionamento pessoal e voluntário, que propicia intimidade e ajuda, no qual as duas partes gostam uma da outra, buscam a companhia uma da outra sem interesses pessoais capazes de prejudicar a outra parte[2]. O que evidentemente não é o caso deste programa em específico.

Especificamente nesta edição do Big Brother Brasil (BBB18), existe uma família como participantes do jogo e moradores da casa (Família Lima). Esta família trouxe ao BBB18 grandes repercussões. Uma delas foi “o beijo de pai e filha” (Ana Clara e Ayrton). Percebe-se no pai, o comportamento de superproteção e Ana Clara demonstra-se muito passiva e obediente ao pai, mostra-se irritada apenas longe da presença dele. A superproteção permanente é certamente um limitador da liberdade e do desenvolvimento da autonomia, assim acaba-se obedecendo ao que lhe é pedido[3]. Hipoteticamente falando, esta superproteção pode ser a estratégia que Ayrton tem para vencer no jogo e garantir que esteja a frente de sua filha, a frase em que pode vir ao encontro desta hipótese é dita pelo próprio Ayrton para outro jogador (Mahmoud) “Minha maior rival aqui dentro é minha filha” (dita em 24/02/2018).

Dentro ou fora da televisão, são inúmeros comportamentos humanos a serem analisados e/ou estudados. O ser humano se comporta de diferentes maneiras em diferentes contextos com diferentes pessoas, e isso além de ser incrível, por vezes é cômico. Dá sim para aprender com o Big Brother, muitos criticam alguns dos participantes do BBB, entretanto não se dão conta que se comportam da mesma maneira “aqui fora”.

Observação: “Grande Irmão”, é uma referência ao livro “1984”, no qual a sociedade é comandada por uma figura criada como o símbolo de um governo totalitário. Nessa distopia, o grande irmão observa e vigia a todos em todos os lugares da cidade e da casa das pessoas, impedindo que hajam pensamentos contrários ao regime ou alianças políticas para depor o regime. Neste texto a autora aproveitou a tradução literal do nome para crítica pessoal.

Referências

[1] REZENDE, Claudia Barcellos. Mágoas de amizade: um ensaio em antropologia das emoções. Mana,  Rio de Janeiro ,  v. 8, n. 2, p. 69-89,  Oct.  2002 .   Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132002000200003&lng=en&nrm=iso>. access on  25  Feb.  2018.  http://dx.doi.org/10.1590/S0104-93132002000200003.

[2] SOUZA, Luciana Karine de; HUTZ, Claudio Simon. Relacionamentos pessoais e sociais: amizade em adultos. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 13, n. 2, p.257-265, jun. 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/pe/v13n2/a08v13n2>. Acesso em: 25 fev. 2018.

[3] KUNSCH, Clarice Krohling. Excesso de atividades, consumo e superproteção: possíveis fatores de tédio em crianças. Revista Veras, São Paulo, v. 4, n. 1, p.99-115, jun. 2014. Disponível em: <http://site.veracruz.edu.br/instituto/revistaveras/index.php/revistaveras/article/view/157/125>. Acesso em: 25 fev. 2018.

O que as pessoas pensam do psicólogo

Por: Guilherme Silveira

A Psicologia tem se consolidado cada vez mais como uma área importante quando falamos de saúde, principalmente no que diz respeito à saúde mental. Juntamente com sua importância, surgem vários rótulos, muitos equivocados, que lhe são empregados e que a cada dia os profissionais desta área do conhecimento tentam desconstruir, para que assim consiga-se consolidar a Psicologia como uma ciência, deixando de lado às práticas e métodos que fogem do rigor científico e buscando sua validação por meio de práticas testadas e comprovadas. Sendo assim, iremos contextualizar, ainda que de forma breve, como surgiu e se desenvolveu a Psicologia no Brasil, assim como qual é a representação social do Psicólogo no cenário brasileiro.

A Psicologia por muitos anos teve seu conhecimento estritamente ligado aos da prática de outras disciplinas, como a sociologia, filosofia, direito, teologia, pedagogia e principalmente a medicina. Somente a partir do início do século XIX a Psicologia começou a ter sua autonomia no cenário nacional, começando então a ser ensinada na Faculdade de Direito de São Paulo. Após diversas lutas pela regulamentação da profissão de Psicólogo, no ano de 1953 surge o primeiro curso superior de Psicologia no Brasil, sendo realizado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Já no ano de 1962, por intermédio da lei n° 4119, a Psicologia e os cursos de graduação passam a serem regulamentados em nosso país, caracterizando assim a Psicologia como profissão e um grande passo para classe profissional [1].

Agora que compreendemos um pouco como surgiu e se regulamentou a Psicologia no Brasil, podemos nos perguntar, qual a verdadeira função de um Psicólogo? Pois bem, lembro-lhes que o objetivo principal deste texto não é problematizar ou discutir qual é a prática do Psicólogo, mas procurar identificar qual é o papel do Psicólogo na perspectiva da sociedade. Para tal feito nos basearemos em pesquisas que abordam a representação social do Psicólogo. A teoria das representações sociais é datada de 1950 e tem como criador Serge Moscovici. Para o criador desta teoria, as representações sociais são basicamente tudo aquilo que é construído em experiências coletivas ou individuais e que após essas experiências acabam se tornando uma forma de estereótipo a respeito de algo [2]. Um exemplo clássico, dentro da nossa discussão, é quando muitas pessoas dizem que o Psicólogo ‘cuida de gente louca’. As representações sociais são comumente construídas a partir de informações que são repassadas de diversas maneiras, entre as mais comuns estão às informações repassadas pelas mídias (televisão, rádio, jornais e redes sociais) e por informações repassadas através de gerações por intermédio de mitos e simples conversas que relatam experiências subjetivas [2].

Uma pesquisa realizada no estado do Rio Grande do Sul apontou que para grande parte dos entrevistados a prática do Psicólogo é a de ajudar e orientar pessoas com problemas emocionais [3]. Em outra pesquisa realizada com acadêmicos de cursos de exatas de uma clínica escola também no Rio Grande do Sul, 57% dos acadêmicos responderam que tem a representação social do Psicólogo como a de alguém que estuda a mente, compreende o comportamento e trata de pessoas que possuem algum tipo de doença mental [2]. Outra característica encontrada na mesma pesquisa é a de que o Psicólogo é aquele que tem o ‘dom’ de saber ouvir, de ter paciência, de entender as pessoas e saber se posicionar de forma neutra com relação aos mais diversos assuntos [2]. Ainda de acordo com os entrevistados, o Psicólogo tem uma atuação mais voltada para clínica e centros psiquiátricos, caracterizando assim o aspecto mencionado anteriormente de trabalhar com pessoas que possuem doenças mentais. Diante de tantas representações equivocadas ou falta de conhecimento sobre o fazer do Psicólogo, o que podemos fazer para transformar essa realidade? Como acabar com o rótulo de ‘cuidador de loucos’? E como fazer para que a sociedade veja a Psicologia além das práticas clínicas tradicionais?

Pois bem, muitas perguntas surgem e poucas respostas são encontradas efetivamente em prática. Discutir a atuação do Psicólogo e qual a representação social dos mesmos é algo muito mais complexo do que imaginamos. Devemos levar em consideração que muitas dessas representações sociais estão relacionadas estritamente ao momento político, histórico e econômico no qual nos encontramos. O certo é que para haver uma representação social correta do papel do Psicólogo necessita-se de uma grande mudança por parte dos próprios Psicólogos, desde lutar por seus direitos, se posicionar de uma forma crítica e correta com relação ao seu fazer, respeitando assim a ética da sua profissão e comprometendo-se com o bem estar social, a divulgação correta do conhecimento científico produzido pela Psicologia e instruindo de forma correta qual o fazer do Psicólogo nos seus mais diversos campos de atuação.

Referências:

[1] LISBOA, Felipe Stephan; BARBOSA, Altemir José Gonçalves. Formação em Psicologia no Brasil: Um Perfil dos Cursos de Graduação. Psicologia: Ciência e Profissão, Brasília, v. 29, n. 4, p. 718-737, 2009. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932009000400006> Acesso em: 17 Abr. 2016.

[2] LAHM, Camila Roberta; BOECKEL, Mariana Gonçalves. Representação Social do Psicólogo em uma Clínica-Escola do Município de Taquara/RS. Contextos Clínicos, São Leopoldo, v. 1, n. 2, p. 79-92, dez. 2009. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1983-34822008000200004&lng=pt&nrm=iso> Acesso em: 17 Abr. 2016.

[3] PRAÇA, Kátia Botelho Diamico; NOVAES, Heliane Guimarães Vieites. A Representação Social do Trabalho do Psicólogo. Psicologia: Ciência e Profissão, Brasília, v. 24, n. 2, p. 32-47, jun. 2004. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932004000200005&lng=pt&nrm=iso> Acesso em: 17 Abr. 2016.

Afinal, o que é Psicologia?

Por: Bruno Kern

Não é de hoje que se discute sobre “o que é Psicologia” ou então sobre a atuação do psicólogo. Em uma pesquisa de 1984, da Doutora Ana Maria Almeida Carvalho[1], já se pensava sobre esses aspectos que, visivelmente, tinham uma preocupação com o tipo de profissional que estaria se formando nas universidades. Mas, se a três décadas este assunto já era fomentado e pesquisado, como está a atual situação da psicologia e sua atuação?

Indiscutivelmente, um dos grandes problemas enfrentados pela psicologia é a questão de existir diferentes abordagens que sustentam o fazer da psicologia, sua visão de homem e mundo e suas técnicas terapêuticas. Em sua pesquisa bibliográfica, Dazzani[2] apresenta estes problemas vinculados a atuação dos profissionais na escola e apontam que, tanto a diferença de abordagens como a situação da psicologia em relação à história dela no Brasil, deixam a sociedade inquieta sobre o fazer do psicólogo. Isto representa um desafio a ser enfrentado para poder explicar  qual  é realmente o papel da psicologia no contexto de hoje.

É interessante ressaltar que, mesmo com tantas divergências no fazer em psicologia, o Conselho Federal de Psicologia dispõe aos profissionais da área o Código de Ética Profissional do Psicólogo[3], onde todos têm acesso às principais características do fazer psicologia, como os procedimentos éticos e a responsabilidade que o psicólogo deve ter para com a comunidade em geral e para com os indivíduos que estão em psicoterapia. Fazer o qual, segundo o código, é pautada nos Direitos Humanos, atentando para a dignidade e liberdade, tanto individual quanto coletiva, buscando sempre informar sobre os procedimentos e contribuir com cientificidade para toda a sociedade.

Há também outros autores que ressaltam o que a psicologia tem para nos oferecer hoje, como é o caso do Tourinho[4], que em seu artigo “A Produção de Conhecimento em Psicologia: análise do comportamento” de 2003, traz uma noção mais coerente sobre “O que é a Psicologia”. Para definir este conceito de Psicologia, Tourinho[4] utiliza-se principalmente de que a Psicologia é a relação entre uma busca por conhecimento científico aplicável, ou seja, pesquisas científicas que auxiliarão a atuação do psicólogo e também, não menos importante, discussões filosóficas sobre a sociedade, sobre como podemos relacionar as situações encontradas nas pesquisas científicas com os problemas do dia-a-dia e que, tudo isto, esteja voltado para melhor compreender o ser humano e auxiliar nos problemas que se apresentam.

Mais recentemente, no livro da Dr. Ana M. Bahia Bock[5], a autora relata nos seus primeiros capítulos a conflituosa definição de Psicologia e reforça que este problema é dado pelas inúmeras escolas psicológicas que divergem em base teórica, objeto de estudo e técnicas. Porém, a autora traz um conceito que explica muito bem o objetivo da Psicologia no âmbito geral,  o conceito da subjetividade. Sendo o objeto de estudo o ser humano, a psicologia entende que o ser humano é dotado de vários aspectos que o identificam como tal, sendo tanto seus contatos sociais, suas crenças, seus gostos, seus sentimentos, seus comportamentos visíveis, e todas as interações de sua vida.

Estas interações constituem a subjetividade do ser humano, e a Psicologia baseia-se nesta subjetividade para trabalhar e pesquisar cientificamente sobre as dúvidas e paradigmas do dia-a-dia, como por exemplo “Eu sou assim porque meus pais me criaram assim?”,  para tentar melhor compreender o seu objeto de estudo, o ser o humano.

Referências:

[1] CARVALHO, Ana Maria Almeida. “Atuação psicológica”. Psicol. cienc. prof.,  Brasília ,  v. 4, n. 2, p. 7-9,    1984. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98931984000200003&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 15  Abril de 2016.

[2] DAZZANI. Maria V. M. A psicologia escolar e a educação inclusiva: uma leitura crítica. Psic. Ciên. Prof. Bahia. 362-375. 2010 Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932010000200011> Acesso em: 15 Abril de 2016

[3] BRASIL, Código de ética (010/2005). Código de Ética Profissional do Psicólogo. Aprovado em 21 de julho de 2005. Documento Online, disponível em: http://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2012/07/codigo-de-etica-psicologia.pdf. Acesso em: 06/05/2016.

[4] TOURINHO, Emmanuel Zagury. A produção de conhecimento em psicologia: a análise do comportamento. Psicol. cienc. prof., Brasília ,  v. 23, n. 2, p. 30-41,  jun. 2003. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932003000200006&lng=pt&nrm=iso>. acessos em  16  abr.  2016.

[5] BOCK, Ana M. B.;  FURTADO, Odair; TEIXEIRA, Maria L. T. Psicologias: Uma introdução ao estudo de Psicologia. Editora Saraiva: São Paulo, 2008, p.368

O papel social da psicologia na saúde pública

Por: Gustavo Assi

Elementos sócio-histórico-culturais fundamentam a forma como a sociedade edifica seus saberes e retrata suas práticas. Destarte, a atuação profissional não pode ficar pautada apenas nas concepções do indivíduo, sem levar em conta os contextos históricos da formação social na qual ele se encontra[1]. Desse modo, o profissional da Psicologia também não poderia deixar de fora da sua atuação esses aspectos determinantes de uma sociedade.
Em seus mais de 50 anos de profissão regulamentada, a Psicologia no Brasil passou, e ainda passa, por várias transições no que se refere ao seu fazer profissional. Dentre elas, pode-se citar a saída do profissional de caráter autônomo da clínica, para o emprego assalariado e de atuação multiprofissional, com destaque para os serviços públicos e políticas sociais[2].
Uma prática multiprofissional, e de caráter preventivo, não condizia com a representação do fazer da Psicologia em seus primórdios, cujo principal traço era o diagnóstico e a cura da doença mental, onde o Psicólogo era visto como aquele que cuidava de “loucos”, sendo muitas vezes essa a causa de preconceitos e resistências em buscar ajuda psicológica[3] que, de certo modo, os próprios profissionais ajudaram a construir.
Conforme o psicólogo foi sendo inserido no contexto da saúde pública e das políticas sociais, o modelo médico tradicional passou a ser questionado. Tal modelo privilegiava o enfoque individual em detrimento do contexto social e histórico, gerando assim uma prática de ajustamento do indivíduo ao meio. Desse modo, com o surgimento de novas demandas, formadas pela difícil realidade das classes populares brasileiras, o psicólogo passou a necessitar de um novo olhar para o sofrimento psíquico gerado nessa população[4]. Novo olhar que pode ser encontrado na inserção do psicólogo nas políticas sociais e de saúde.
Sabe-se, porém, que os determinantes externos que servem de obstáculo para a atuação do Psicólogo nas políticas sociais não são poucos; o mau funcionamento dos equipamentos de saúde, a corrupção e a má gestão dos serviços, a formação acadêmica que não preza pela multiprofissionalidade, as condições de trabalho aversivas, dentre outros. No entanto, não se pode dispensar a sua contribuição de atuar efetivamente no desenvolvimento da população[2].
Os primeiros questionamentos acerca da contribuição do psicólogo nas funções sociais surgiram nos anos de 1970 e 1980, e centravam-se no tipo de público que poderia ter acesso a esses profissionais – frente a isso, o profissional de psicologia teve de expandir seu trabalho também à população carente[2].
Tal expansão ocorreu com a inserção dos psicólogos nas políticas sociais, principalmente com a transição democrática dos anos 1990. Contudo, a partir da percepção de que não basta ao psicólogo atender aos pobres, mas sim possibilitar meios para que haja mudança, o questionamento sobre o papel social retorna, mas agora como “compromisso social”[2].
A Psicologia comprometida socialmente, pode ser definida como aquela que busca atender camadas sociais que não tiveram acesso ao trabalho do psicólogo. Tal compromisso, busca a adoção de perspectivas teóricas que consideram o contexto social e histórico característicos deste público, em detrimento de abordagens “psicologizantes”[5]. Pautada no compromisso social, a Psicologia da Saúde no Brasil foi ampliando seu âmbito de atuação, de forma a a ultrapassar o contexto hospitalar, na década de 90, para se instalar na saúde pública[6].
A Psicologia da Saúde estuda, então, o papel da própria Psicologia como ciência e profissão nos domínios da saúde, da doença e da prestação dos cuidados de saúde, tendo como ponto de partida as experiências, comportamentos e interações deste contexto. Enfatiza a necessidade de considerar os contextos sociais e culturais nos quais a saúde e as doenças ocorrem, uma vez que as significações e os discursos desses aspectos são diferentes conforme estatuto socioeconômico, gênero, a diversidade cultural e o momento histórico[6].
Embora a inserção do psicólogo no contexto da saúde pública seja recente, a sua prática nas instituições de saúde vai ao encontro com as necessidades sociais, englobando os contextos históricos e sociais como determinantes dessas necessidades. Pode-se dizer então, que o papel social da Psicologia, enquanto inserida na saúde pública, é de compreender que existem diversos contextos, e que cada contexto deve ser analisado de forma única, uma vez que o surgimento de doenças em determinada região diz respeito a características específicas encontradas nela. Além disso, uma prática interdisciplinar que contribua para minimizar o sofrimento psíquico da população, bem como possibilitar meios para que consigam superar situações adversas, está pautada no seu compromisso social.

REFERÊNCIAS

[1]POUBEL, Paula Figueiredo. Psicologia na Saúde Pública. ECOS – estudos contemporâneos da subjetividade. Cuiabá, v. 4, n. 2, p. 192-200, 2014.

[2]COSTA, Ana Ludmila Freire. A Produção Científica de Psicologia e o Debate sobre Política Social. 2014. 286 f. Tese ( Programa de Pós Graduação em Psicologia) – Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2014.

[3]CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA DA 6ª REGIÃO (Org.) Exposição 50 anos da psicologia no Brasil: A História da psicologia no Brasil. Conselho Regional de Psicologia da 6ª Região. São Paulo: CRPSP, 2011.

[4]AMARAL, Marília dos Santos; GONÇALVES, Cristiane Holzschuh; SERPA, Monise Gomes. Psicologia Comunitária e a Saúde Pública: relato de experiência da prática Psi em uma Unidade de Saúde da Família. Psicologia Ciência e Profissão, Brasília, v. 32, n. 2, p. 484-495, 2012.

[5]BOCK, A. M. B. Psicologia e o compromisso social. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2009.

[6]SOBROSA, Gênesis Marimar Rodrigues et al. O Desenvolvimento da Psicologia da Saúde a Partir da Construção da Saúde Pública no Brasil. Revista de Psicologia da IMED. Passo Fundo, v. 6, n.1, p. 4-9, Jan./Jun. 2014.

O papel do psicólogo escolar

Por: Aline Marques

A escola, assim como as outras instituições, é um local onde podem existir várias problemáticas em que um psicólogo pode contribuir. É importante que os membros das instituições escolares saibam o real trabalho de um psicólogo, bem como as contribuições de sua função. Um psicólogo escolar trabalha dentro da escola observando as demandas e contribuindo para melhorias na qualidade do ensino, tanto para funcionários da escola quanto para alunos e pais[1].

A escola é uma instituição neutra que realiza projetos de socialização das crianças e os prepara para a vida em sociedade. As instituições escolares devem beneficiar a todos, independentemente da origem social, da cor, do credo e do sexo[1].

Para muitos professores o papel do psicólogo se resume em auxiliar na mudança de comportamentos de alunos que causam problemas e atrapalham o andamento das aulas ou ainda no auxílio de alunos com deficiência. Entretanto, segundo Aquino[2] o psicólogo deve atender à comunidade escolar indo além dos apelos quanto aos “alunos-problema” ou com dificuldades de aprendizagem. O trabalho do psicólogo escolar é satisfatório quando a comunidade escolar recebe bem as sugestões, participa delas e contribui de forma interdisciplinar para a melhoria da escola.

O essencial para a inclusão de todos os alunos é a melhoria de parcerias com os demais profissionais da instituição de ensino, conscientizando-os da multideterminação dos fenômenos educativos, buscando diferentes formas de atingir todos os alunos e ainda envolvendo todos os membros da comunidade escolar para obter sucesso do processo de escolarização[2].

O corpo docente das escolas (professores) possuem formações em suas áreas específicas no caso dos anos finais e, na educação básica, em pedagogia. Muitos destes profissionais não têm conhecimento sobre saúde mental, transtornos, síndromes, entre outras temáticas em que o psicólogo possui um vasto conhecimento[3].

Uma das funções básicas do psicólogo escolar é o auxílio ao aluno para uma vida plena e sadia, tanto para o que se refere a conhecimento quanto para ajustar-se em sociedade, afinal este é o objetivo da vivência escolar como um todo[3]. Neste sentido, o psicólogo escolar pode propor inúmeras instruções sobre diferentes temáticas, para garantir uma melhor mediação entre aluno-professor[2], pois as crianças precisam de um professor orientado psicologicamente para, assim, aproveitar o máximo de suas potencialidades[3].

Segundo Martins[4], o psicólogo tem o papel de auxiliar os envolvidos da escola a colocar em coletivo novas pautas relacionadas a realidade que está sendo vivenciada para que o próprio grupo possa sugerir novas formas de avaliação dos processos do contexto escolar, como os meios de aprendizagem, organização da instituição, formas de avaliar os alunos, entre outros aspectos importantes para a decisão dos educadores.

É de extrema importância que o psicólogo escolar trabalhe com todos os envolvidos da escola, pois o fracasso escolar não é um problema do aluno somente, mas sim um processo construído das relações escolares, bem como problemas institucionais, de ensino, avaliativos e outras demandas deste contexto[5].

Referências

[1]PATTO, Maria Helena Souza (Org.).  Introdução à Psicologia Escolar. São Paulo: Casa do Psicólogo 3 ed. 1997, p. 468.

[2]AQUINO, Fabíola de Sousa Braz et al . Concepções e práticas de psicólogos escolares junto a docentes de escolas públicas. Psicol. Esc. Educ.,  Maringá ,  v. 19, n. 1, p. 71-78, Apr.  2015 .   Disponível em; <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-85572015000100071&lng=en&nrm=iso>. Acesso em  15  Mar.  2016.

[3]GOLDBERG, Maria Amélia Azevedo (Coordenadora); Concepções do papel do Psicólogo Escolar, São Paulo; 1973. Disponível em: <http://publicacoes.fcc.org.br/ojs/index.php/cp/article/view/1840/1809> Acesso em 19 de Abril.

[4]MARTINS, João Batista. A Atuação do Psicólogo Escolar: multirreferencialidade, implicação e Escuta clínica. Psicol. estud. , Maringá, v. 8, n. 2, p. 39-45, Dezembro de 2003. Disponível a partir <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-73722003000200005&lng=en&nrm=iso>. Acesso em 19 de abril de 2016.

[5]ASBAHR, Flávia da Silva Ferreira; MARTINS, Edna; MAZZOLINI, Beatriz Pinheiro Machado. Psicologia, Formação de Psicólogos e a escola:. Desafios Contemporâneos Psicol. estud. , Maringá, v. 16, n. 1, p. 157-163, março de 2011. Disponível a partir <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-73722011000100019&lng=en&nrm=iso>. Acesso em 19 de abril de 2016.

A divulgação do conhecimento Psi

Foi pensando em criar textos para a comunidade leiga que surgiu a ideia deste blog sobre a psicologia, hospedado no Centro Universitário de Brusque, procurando trazer conhecimento científico atual, cumprindo com um dos pilares éticos e sociais da ciência: divulgar o conhecimento para que toda a comunidade possa se beneficiar do avanço científico. Essa questão ética perpassa todos os tipos de conhecimentos, e muitos deles vêm impactanto a sociedade, sem que ela os conheça ou entenda como eles são produzidos, conforme fala do Professor Quilfeldt¹.

A divulgação do conhecimento na psicologia é ainda mais precário, poucos sites estão dispostos a divulgar conhecimento atual. Muitos sãos os sites com desinformações, posições mais ideológicas do que científicas e simples absurdos provenientes de convicções pessoais. A própria cultura popular não traz muita contribuição já que o conhecimento popular é muitas vezes contrário ao que se descobre na ciência, quando ele mesmo não se contradiz. Por fim, pouco se sabe da aplicação desse conhecimento na sociedade.

A tecnologia² proveniente dessa ciência não é amplamente utilizada, mas poderia, e não significa que algumas tecnologias conhecidas não estejam em vigor mesmo sem que os criadores o saibam (vide comerciais em geral). Conforme conhecemos, o ser humano só se permite ser controlado enquanto não sabe ou não tem conhecimento do que [ou de quem] o está controlando³. Logo é interessante a todo cidadão conheça os mecanismos pelos quais opera para que não se deixe levar, como na música de Zeca Pagodinho…

Neste sentido, é possível, por meio da academia, divulgar o conhecimento mais atual que temos, considerando que o ensino superior é onde o conhecimento é transmitido e produzido4. É dever do psicólogo divulgar para o máximo de pessoas o conhecimento de qualidade para que a sociedade não caia vítima de más práticas tanto psicológicas quanto pseudo-psicológicas (ou conhecimentos ainda mais oportunistas) que existem espalhados por aí.

Atualmente estuda-se e revisa-se cada vez mais as práticas psicológicas com curiosidade científica. Em 2012, Nosek5 divulgou que poucos estudos na psicologia eram replicados. Esse foi um momento especial para o crescimento da psicologia como ciência, já que a replicabilidade de um estudo científico é o que sustenta sua validade, ou seja, o conhecimento precisa passar em testes para ver o quanto ele se mantém. Assim podemos separar os fatos dos vieses de pesquisador e de publicação.

É claro que não basta conhecer os fatos relacionados ao conhecimento científico, mas sim como esse conhecimento é produzido, pois mais importante que conhecer é saber detectar os conhecimentos construídos com qualidade. Nesse sentido, vale inclusive ver o vídeo do Pirula6 sobre a desculpa do entretenimento, no qual ele traz uma nova visão para a divulgação científica.

Por esse motivo, os textos aqui presentes buscarão apresentar como exemplo, processos de conhecimento produzidos por acadêmicos. De forma sucinta e acessível desvendar um pouco do processo do conhecer que se faz dia-a-dia na academia, bem como trazer informações valiosas.

Essas informações podem ser utilizadas para que qualquer leitor tenha um pouco mais de percepção sobre sua condição humana, seus comportamentos, pensamentos e relacionamentos, tornando-os mais saudáveis na medida do possível. Também servirá como um exercício de cidadania para os acadêmicos e futuros psicólogos que serão responsáveis por divulgar conhecimento de qualidade.

 

Alguns links interessantes:

  1. Vídeo do Professor Jorge Quillfeldt no congresso da Liga Humanista Secular: http://www.bulevoador.com.br/2015/03/ciencia-e-humanismo/
  2. Entende-se por tecnologia tudo aquilo que é desenvolvido com base em conhecimento produzido previamente, criando uma sistematização de uso. Em ciências humanas, as tecnologias geralmente são ações planejadas.
  3. SLATER, L. Mente e Cérebro: Dez experiências impressionantes sobre o comportamento humano. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004.
  4. MARTURANO, Edna Maria; SILVARES, Edwiges Ferreira de Mattos; OLIVEIRA, Margareth da Silva. Serviços-escola de psicologia: seu lugar no circuito de permuta do conhecimento. Temas em psicologia,  Ribeirão Preto ,  v. 22, n. 2, p. 457-470, dez.  2014 . Disponível: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-389X2014000200016
  5. Entrevista com Brian Nosek sobre a replicabilidade na psicologia (em português) http://scienceblogs.com.br/socialmente/2012/06/psicologia-acordando-para-ciencia-aberta/
  6. Vídeo do Pirula sobre “A desculpa do entretenimento”: https://www.youtube.com/watch?v=PtFd97xm3gE

Dia do psicólogo

Neste dia, a profissão realiza 53 anos de regulamentação no Brasil. Aproveitamos para parabenizar todos os psicólogos brasileiros e principalmente os Docentes que contribuem para a formação de novos psicólogos com responsabilidade crítica para fortalecer a profissão no país.

Feliz dia Psicológico!

 

Semana da Psicologia 2015

PROGRAMAÇÃO DA SEMANA DE PSICOLOGIA 2015

26.08.15 – Palestra: transtorno da aprendizagem
Psic. Lucimara Z G Pavesi – auditório bloco C 19h

26.08.15 – Palestra : Arte terapia
Dr. Maria da Glória – auditório bloco E
Lançamento do livro

27.08.15 – Prevenção de deficiência
Palestrante: Graciela Darós Piffer
Auditório bloco C 19h

27.08.15 – Palestra: Perdas e Lutos
Psic. Aroldo Escudeiro
Auditório Bloco E – 19h

28.08.15 – Oficinas:

O papel do Psicólogo na Assistência Social
Psic. Leila e Psic. Aldrin – Cras
Sala 15 A
Prof. Jorge – Responsável

A influência do Jogo no Comportamento
Psic. André Luiz Thieme – Responsável
Sala – 1 A
*Vai acontecer uma atividade antes, entrar em contato com o professor por email: andrethieme@unifebe.edu.br

Atuação do Psicólogo no Núcleo de Apoio à Família – NASF
Psic. Roberta
Sala – 39 A
Prof. Sandra – Responsável

Psicomotricidade
Prof. Adonis
Sala de Dança – 26 D
Prof. Pricila – Responsável

Violência na Infância
Psic. Maiara Pereira Cunha
Prof. Simoni – Responsável

29.08.15 – Panfletagem Centro de Brusque
Confraternização

Oficina de parentalidade (autismo)

Acontece na Unifebe a oficina de parentalidade para pais de crianças com transtorno do espectro autista.
A oficina é conduzida pelas estagiárias Roselis e Graziele, estudantes da sétima fase de psicologia da UNIFEBE, sob orientação do Professor Me. André Luiz Thieme.

A proposta das estagiárias é realizar atividades na Clínica Escola de Psicologia – Unifebe – sito a rua Dorval Luz, 123, bairro Santa Terezinha, objetivando proporcionar apoio parental para as famílias com membros diagnosticados com a síndrome do espectro autista. Nos encontros serão utilizadas dinâmicas, palestras, vídeos e outros instrumentos necessários para a discussão e reflexão sobre os temas propostos.

Os encontros serão realizados semanalmente, com duração de 90 minutos (das 20hs as 21:30hs) e iniciaram no dia 28 de abril, mas ainda há vagas.

Inscrições pelo email: andrethieme@unifebe.edu.br