Afinal, o que é Psicologia?

Por: Bruno Kern

Não é de hoje que se discute sobre “o que é Psicologia” ou então sobre a atuação do psicólogo. Em uma pesquisa de 1984, da Doutora Ana Maria Almeida Carvalho[1], já se pensava sobre esses aspectos que, visivelmente, tinham uma preocupação com o tipo de profissional que estaria se formando nas universidades. Mas, se a três décadas este assunto já era fomentado e pesquisado, como está a atual situação da psicologia e sua atuação?

Indiscutivelmente, um dos grandes problemas enfrentados pela psicologia é a questão de existir diferentes abordagens que sustentam o fazer da psicologia, sua visão de homem e mundo e suas técnicas terapêuticas. Em sua pesquisa bibliográfica, Dazzani[2] apresenta estes problemas vinculados a atuação dos profissionais na escola e apontam que, tanto a diferença de abordagens como a situação da psicologia em relação à história dela no Brasil, deixam a sociedade inquieta sobre o fazer do psicólogo. Isto representa um desafio a ser enfrentado para poder explicar  qual  é realmente o papel da psicologia no contexto de hoje.

É interessante ressaltar que, mesmo com tantas divergências no fazer em psicologia, o Conselho Federal de Psicologia dispõe aos profissionais da área o Código de Ética Profissional do Psicólogo[3], onde todos têm acesso às principais características do fazer psicologia, como os procedimentos éticos e a responsabilidade que o psicólogo deve ter para com a comunidade em geral e para com os indivíduos que estão em psicoterapia. Fazer o qual, segundo o código, é pautada nos Direitos Humanos, atentando para a dignidade e liberdade, tanto individual quanto coletiva, buscando sempre informar sobre os procedimentos e contribuir com cientificidade para toda a sociedade.

Há também outros autores que ressaltam o que a psicologia tem para nos oferecer hoje, como é o caso do Tourinho[4], que em seu artigo “A Produção de Conhecimento em Psicologia: análise do comportamento” de 2003, traz uma noção mais coerente sobre “O que é a Psicologia”. Para definir este conceito de Psicologia, Tourinho[4] utiliza-se principalmente de que a Psicologia é a relação entre uma busca por conhecimento científico aplicável, ou seja, pesquisas científicas que auxiliarão a atuação do psicólogo e também, não menos importante, discussões filosóficas sobre a sociedade, sobre como podemos relacionar as situações encontradas nas pesquisas científicas com os problemas do dia-a-dia e que, tudo isto, esteja voltado para melhor compreender o ser humano e auxiliar nos problemas que se apresentam.

Mais recentemente, no livro da Dr. Ana M. Bahia Bock[5], a autora relata nos seus primeiros capítulos a conflituosa definição de Psicologia e reforça que este problema é dado pelas inúmeras escolas psicológicas que divergem em base teórica, objeto de estudo e técnicas. Porém, a autora traz um conceito que explica muito bem o objetivo da Psicologia no âmbito geral,  o conceito da subjetividade. Sendo o objeto de estudo o ser humano, a psicologia entende que o ser humano é dotado de vários aspectos que o identificam como tal, sendo tanto seus contatos sociais, suas crenças, seus gostos, seus sentimentos, seus comportamentos visíveis, e todas as interações de sua vida.

Estas interações constituem a subjetividade do ser humano, e a Psicologia baseia-se nesta subjetividade para trabalhar e pesquisar cientificamente sobre as dúvidas e paradigmas do dia-a-dia, como por exemplo “Eu sou assim porque meus pais me criaram assim?”,  para tentar melhor compreender o seu objeto de estudo, o ser o humano.

Referências:

[1] CARVALHO, Ana Maria Almeida. “Atuação psicológica”. Psicol. cienc. prof.,  Brasília ,  v. 4, n. 2, p. 7-9,    1984. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98931984000200003&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 15  Abril de 2016.

[2] DAZZANI. Maria V. M. A psicologia escolar e a educação inclusiva: uma leitura crítica. Psic. Ciên. Prof. Bahia. 362-375. 2010 Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932010000200011> Acesso em: 15 Abril de 2016

[3] BRASIL, Código de ética (010/2005). Código de Ética Profissional do Psicólogo. Aprovado em 21 de julho de 2005. Documento Online, disponível em: http://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2012/07/codigo-de-etica-psicologia.pdf. Acesso em: 06/05/2016.

[4] TOURINHO, Emmanuel Zagury. A produção de conhecimento em psicologia: a análise do comportamento. Psicol. cienc. prof., Brasília ,  v. 23, n. 2, p. 30-41,  jun. 2003. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932003000200006&lng=pt&nrm=iso>. acessos em  16  abr.  2016.

[5] BOCK, Ana M. B.;  FURTADO, Odair; TEIXEIRA, Maria L. T. Psicologias: Uma introdução ao estudo de Psicologia. Editora Saraiva: São Paulo, 2008, p.368

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