O PERÍODO GESTACIONAL PARA A MULHER

Por Ana Cristina Heiderscheidt Silveira e Giovana Hoffmann

A gravidez faz parte do ciclo vital de muitas mulheres e ocasiona grandes mudanças em sua vida. É a partir da gravidez que ela deixa de ser apenas mulher, para adquirir o papel social de mãe. Por ser um período de grandes transformações psíquicas e um período de transição, demanda um suporte a essas mulheres dos profissionais de saúde durante essa fase [1].

É na primeira consulta com o médico que a mãe busca tirar as primeiras dúvidas acerca da gestação, certificar se está realmente grávida, se seu corpo está preparado para esse bebê, se está tudo bem com a saúde desse bebê, bem como as ansiedades e dúvidas sobre o futuro da gestação. O profissional deve reconhecer que esse é um período de ambivalência na vida da mulher. Toda gestante quer e não quer estar grávida, pois neste período ansiedades e medos primitivos afloram, o que demanda do profissional compreender este período sem julgamentos [1].

Nesse processo, o psicólogo poderia auxiliar acolhendo esta mulher frente às incertezas apresentadas por ela. Ele também deve levar em conta que cada mulher vive a gestação de forma única, então deve olhar para sua subjetividade. Com o acompanhamento psicológico durante a gravidez, o psicólogo poderá esclarecer possíveis dúvidas que ficaram após a consulta com o médico, e ajudá-la a reconhecer de forma clara seus sentimentos e emoções [2].

Com o passar dos meses, novas dúvidas e ansiedades surgem na gestante. O primeiro trimestre é no qual geralmente ocorrem alterações de humor devido às mudanças hormonais e psicológicas, enjoos, as primeiras modificações corporais, entre outros [4]. No segundo trimestre é quando acontecem os primeiros movimentos do feto e a mulher sente seu bebê concretamente. Também é nesse período que ocorrem mudanças no desejo sexual.

Já no terceiro trimestre, começam a surgir ansiedades e medos com o parto que se aproxima, e as queixas físicas começam a aumentar. É de extrema importância o profissional estar atento a essas mudanças e proporcionar uma escuta acolhedora, tomando cuidado para não ter uma fala muito técnica, dificultando a compreensão desta mulher [4].  

No parto ocorre a transição entre a gravidez e o puerpério, é um período curto, porém marcado por grandes emoções e mudanças. Com o parto diversos medos começam a surgir, como o medo da dor que está por vir, o medo do bebê nascer e rasgar sua genitália, entre outros. A escolha entre os diversos tipos de partos (cesárea, normal, natural e humanizado) também geram dúvidas entre essas mulheres; questões religiosas e culturais também podem afetar na escolha do parto, causando insegurança e o medo de não ser capaz de gerar o bebê. O hospital também pode representar anseios para essa mulher, afinal é um ambiente desconhecido e por isso deve ser um local onde se sinta acolhida [3].   

O parto então é um fato social, no qual surge um novo ser humano. Ele é considerado um processo psicossomático, rodeado por idealizações e anseios; demanda dos profissionais orientar, fortalecer, escutar e esclarecer sobre as diversas questões que aparecem nesse momento. Esses esclarecimentos são importantes para o bem estar da mulher e possibilitam que ela possa enfrentar essas mudanças de forma mais equilibrada [3].

REFERÊNCIAS

[1] ALVES, C. F. et al. Intervenção Psicológica no período pós-parto em uma maternidade. Disponível em: http://online.unisc.br/acadnet/anais/index.php/jornada_psicologia/article/view/10213. Acesso em: 16 mai. 2018.

[2] FLECK, A. O bebê imaginário e o bebê real no contexto da prematuridade. Disponível em: http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/37208/000820507.pdf?. Acesso em: 16 mai. 2018.

[3] MALDONADO, M. T. Psicologia da Gravidez: parto e puerpério. 14 ed. Rio de Janeiro: Editora Saraiva, 1997.

[4] SARAMENTO, R. SETUBAL, M. S. V. Abordagem psicológica em obstetrícia: aspectos emocionais da gravidez, parto e puerpério. Disponível em:  http://periodicos.puc-campinas.edu.br/seer/index.php/cienciasmedicas/article/viewFile/1260/1235. Acesso em: 16 mai. 2018.

AS ATRIBUIÇÕES DO PSICÓLOGO HOSPITALAR

Por Stefanie Debatin

O Brasil é considerado um dos países pioneiros no desenvolvimento de uma nova especialidade na área da Psicologia, a Psicologia Hospitalar que surge em meados da década de 80. Este termo é utilizado para nomear as atividades do psicólogo da saúde em hospitais, onde se fazem presentes os processos doença-internação-tratamento, mediados pela relação doente-família-equipe. Portanto, os alicerces da Psicologia Hospitalar são a construção e a execução de teorias e técnicas específicas voltadas às pessoas hospitalizadas[1].

De acordo com o Conselho Regional de Psicologia do Paraná[2], o objetivo geral da Psicologia Hospitalar é pautado no acolhimento e no trabalho com pacientes de qualquer faixa etária, bem como com suas famílias, que estão em sofrimento psíquico decorrente da sua patologia, internação e tratamento.

Em relação aos fazeres do psicólogo hospitalar frente ao adoecimento e à internação, este atua como um facilitador da comunicação e da expressão do ser por meio da linguagem. Em conjunto com a equipe multidisciplinar, a melhora da comunicação serve de auxílio para a tomada de decisões e encaminhamentos frente às dificuldades apresentadas pelos pacientes e sua família. O psicólogo também pode atuar como um mediador entre os membros da equipe ou até mesmo entre a equipe e o paciente, com a finalidade de reduzir o estresse que é muito comum neste local[3].

O psicólogo hospitalar deve ser um observador qualificado, que interpreta os anseios do paciente, tornando-se um responsável sobre as transformações no processo de recuperação. Quando o paciente for uma criança, por exemplo, é imprescindível que se considere outras questões como as reações de cada uma delas, características ambientais e do período evolutivo no qual ela se encontra naquele determinado momento [4]. É muito importante que o profissional de Psicologia tenha conhecimento das fases da infância, para que ele se atente à saúde do paciente de forma integral e não focalizada[5].

Mäder[3] afirma que é preciso considerar que o psicólogo não lida somente com o sofrimento do paciente, mas também com a família e até mesmo com outros profissionais envolvidos, favorecendo o enfrentamento da doença por todos. O profissional de Psicologia é capaz de oferecer suporte psicológico para os familiares da criança internada, uma vez que cada membro pode manifestar as mais diversas reações diante daquele momento. As técnicas que o psicólogo usa, varia de caso para caso, respeitando a necessidade do paciente e da família.

Uma possibilidade de intervenção é a escuta qualificada, que é considerada uma forma de acolhimento verbal ou não verbal do próprio paciente ou de seu acompanhante, tendo em vista os diversos sentidos que a internação pode trazer a estes [6]. Ao possibilitar ao indivíduo essa expressão de seus sentimentos e emoções, o psicólogo estará contribuindo para que ele possa elaborar e ressignificar suas vivências, tornando-os sujeitos ativos diante do processo de adoecimento[7].

Sendo assim, a atuação no hospital se dá de forma distinta da psicologia tradicional, uma vez que o psicólogo vai ao encontro do sujeito e, junto do mesmo, constrói a demanda de trabalho. Além disso, o profissional de Psicologia também pode atuar como um mediador entre os membros da equipe e o paciente, diversificando ainda mais as possibilidades de trabalho do psicólogo no campo hospitalar.

 

REFERÊNCIAS

[1] ALMEIDA, Raquel A. MALAGRIS, Lucia E. N. A prática da Psicologia da Saúde. Revista da SBPH, Rio de Janeiro, v. 14, n. 2, p. 183-202, jul./dez. 2011. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-08582011000200012>. Acesso em: 01 jun. 2017.

[2] CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA DO PARANÁ. Manual de Psicologia Hospitalar: manual. Curitiba: Unificado, 2007.

[3] MÄDER, Bruno Jardini. Psicologia hospitalar: considerações sobre assistência, ensino, pesquisa e gestão.1. ed. Curitiba: CRP-PR, 2016.

[4] BAPTISTA, Makilim Nunes; DIAS, Rosana Righetto. Psicologia Hospitalar: teoria, aplicações e casos clínicos. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012.

[5] CALVETT, P. Ü.; SILVA, L. M.; GAUER, G. J. C. Psicologia da saúde e criança hospitalizada. Psic, São Paulo, vol.9, n. 2, p. 229-234, dez. 2008. Disponível em: < http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1676-73142008000200011>. Acesso em: 01 abr. 2017.

[6] LAZARI, A. H. et al. Escuta e acolhimento como ferramentas de avaliação da satisfação do usuário de um hospital ensino. In: IX EPCC – ENCONTRO INTERNACIONAL DE PRODUÇÃO CIENTÍFICA UNICESUMAR, 9, 2015. Anais Eletrônicos. p. 4-8.

[7] ALCÂNTARA, T. V. et al. Intervenções psicológicas na sala de espera: estratégias no contexto da Oncologia Pediátrica. Rev. SBPH, Rio de Janeiro, vol.16, n. 2, p. 103-119, dez. 2013. Disponível em: < http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-08582013000200008>. Acesso em: 29 mar. 2017.