#BBB18 está para Big Brother ou Big Enemy?

Por Aline Marques

Muitos utilizam o termo “irmão” para um amigo ou uma pessoa muito especial. Os “irmãos” participantes do jogo, na verdade são rivais e acabam utilizando a “irmandade” como tática de jogo. Fazendo um comparativo com a realidade humana, muitas pessoas agem desta forma, mesmo não participando de um jogo típico. O “jogo” é a própria vida, e os laços de amizade podem servir de auxílio para muitas coisas como aumentar a credibilidade, melhorar o status social, conseguir um emprego, conquistar alguém, enfim. O fato é que dentro ou fora de um programa televisivo percebemos que as pessoas por vezes aproveitam da amizade para conseguir algo. Ou pior, “forçam” uma amizade para conseguir o que almejam.

A maioria dos participantes do Big Brother, relatam que mostram para o Brasil e para seus “amigos da casa” quem realmente são, que não precisam esconder nada de ninguém. Entretanto, mesmo entre os amigos mais próximos (close friends), ou para a família, a exposição do “eu verdadeiro” não é tão fácil assim[1].

A amizade é um relacionamento pessoal e voluntário, que propicia intimidade e ajuda, no qual as duas partes gostam uma da outra, buscam a companhia uma da outra sem interesses pessoais capazes de prejudicar a outra parte[2]. O que evidentemente não é o caso deste programa em específico.

Especificamente nesta edição do Big Brother Brasil (BBB18), existe uma família como participantes do jogo e moradores da casa (Família Lima). Esta família trouxe ao BBB18 grandes repercussões. Uma delas foi “o beijo de pai e filha” (Ana Clara e Ayrton). Percebe-se no pai, o comportamento de superproteção e Ana Clara demonstra-se muito passiva e obediente ao pai, mostra-se irritada apenas longe da presença dele. A superproteção permanente é certamente um limitador da liberdade e do desenvolvimento da autonomia, assim acaba-se obedecendo ao que lhe é pedido[3]. Hipoteticamente falando, esta superproteção pode ser a estratégia que Ayrton tem para vencer no jogo e garantir que esteja a frente de sua filha, a frase em que pode vir ao encontro desta hipótese é dita pelo próprio Ayrton para outro jogador (Mahmoud) “Minha maior rival aqui dentro é minha filha” (dita em 24/02/2018).

Dentro ou fora da televisão, são inúmeros comportamentos humanos a serem analisados e/ou estudados. O ser humano se comporta de diferentes maneiras em diferentes contextos com diferentes pessoas, e isso além de ser incrível, por vezes é cômico. Dá sim para aprender com o Big Brother, muitos criticam alguns dos participantes do BBB, entretanto não se dão conta que se comportam da mesma maneira “aqui fora”.

Observação: “Grande Irmão”, é uma referência ao livro “1984”, no qual a sociedade é comandada por uma figura criada como o símbolo de um governo totalitário. Nessa distopia, o grande irmão observa e vigia a todos em todos os lugares da cidade e da casa das pessoas, impedindo que hajam pensamentos contrários ao regime ou alianças políticas para depor o regime. Neste texto a autora aproveitou a tradução literal do nome para crítica pessoal.

Referências

[1] REZENDE, Claudia Barcellos. Mágoas de amizade: um ensaio em antropologia das emoções. Mana,  Rio de Janeiro ,  v. 8, n. 2, p. 69-89,  Oct.  2002 .   Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132002000200003&lng=en&nrm=iso>. access on  25  Feb.  2018.  http://dx.doi.org/10.1590/S0104-93132002000200003.

[2] SOUZA, Luciana Karine de; HUTZ, Claudio Simon. Relacionamentos pessoais e sociais: amizade em adultos. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 13, n. 2, p.257-265, jun. 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/pe/v13n2/a08v13n2>. Acesso em: 25 fev. 2018.

[3] KUNSCH, Clarice Krohling. Excesso de atividades, consumo e superproteção: possíveis fatores de tédio em crianças. Revista Veras, São Paulo, v. 4, n. 1, p.99-115, jun. 2014. Disponível em: <http://site.veracruz.edu.br/instituto/revistaveras/index.php/revistaveras/article/view/157/125>. Acesso em: 25 fev. 2018.

O TREINO DE HOJE #TÁPAGO: DÍVIDA COM QUEM?

Se o treino foi pago, é uma dívida? E, se for dívida, é com quem? A pergunta é simples, mas as respostas não.

Por: Fabiane Maria Schaefer Baron
Maísa Hodecker

A expressão “tá pago” está sendo utilizada constantemente entre os praticantes de atividades físicas. Normalmente, as pessoas utilizam a hashtag (#tapago) em fotos capturadas após algum treino ser finalizado, com a intenção de divulgar que todas as atividades físicas programadas para aquele treino foram realizadas com sucesso. Contudo, fica a reflexão: se o treino foi pago, é uma dívida? E, se for dívida, é com quem? A pergunta é simples, mas as respostas não. Dívida é alguma pendência, algo que está a haver com alguém. Neste caso, a dívida pode ser com a saúde, com a sociedade, com a mídia, consigo mesma, etc. Embora possam haver diversos fatores atrelados a essa dívida, se a pessoa precisa “pagar” para fazer algo, pode estar realizando o exercício errado.

Isto se justifica já que o exercício deve proporcionar bem-estar, prazer e qualidade de vida. Quando praticar o exercício passa a ser algo “pago”, maçante e tedioso, torna-se necessário modificar o treino ou o próprio exercício, para que a pessoa resgate a vontade de praticar exercício e não se sinta na obrigação de finalizar, mas finalize por questões de satisfação pessoal. Além disso, seria benéfico conversar informalmente com o praticante de exercício físico, buscando reconhecer que exercício ou treino mais se sente confortável em realizar e identificar quais os motivos associados a prática esportiva. Outro fator preponderante para a satisfação do indivíduo é o modo como o exercício ou treino é encaminhado e direcionado, isto é, o modo como o treinador ou professor está lidando com o praticante de exercício[1].

Todo praticante de exercício possui algum objetivo final. Uns pretendem ganhar massa muscular, outros perder gordura, outros melhorar o condicionamento físico, outros por questões pertinentes a saúde, mas todos possuem algum intuito. O papel do treinador/professor é acompanhar, orientar, instruir, visando o progresso do aluno até que sejam, enfim, alcançadas as metas e o objetivo final. No decorrer desse trajeto, é relevante que o treinador/professor esteja ciente de sua postura e expressões diante dos sucessos e fracassos de seus alunos. Aconselha-se uma postura neutra, sem privilegiar mais um do que outro, mas que reconheça quando o aluno conseguiu atingir uma meta ou objetivo e que também reconheça a luta de algum aluno mesmo diante de algum fracasso[2].

Acredita-se que esses fatores são apenas alguns que podem favorecer o treino ou a prática de exercício físicos para deixar de ser “uma dívida” extremamente desgastante para ser um fator associado ao bem-estar físico e psicológico. Assim, a motivação deve ser avaliada no contexto esportivo, os exercícios programados para cada aluno/atleta devem estar equiparados ao seu nível de motivação. Alunos extremamente motivados podem decair diante de algum fracasso ou de alguma expectativa não suprida. Para eles, é aconselhável criar um treino regular e com exercícios moderados, e aumentar o nível de dificuldade gradualmente. Já alunos com baixa motivação necessitam de exercícios que sejam de sua preferência, com acréscimo gradual de exercícios com maior dificuldade de realização. Dessa forma, a cada acerto ou a cada ganho relacionado ao exercício o nível de motivação do aluno poderá aumentar proporcionalmente[2].

Portanto, acredita-se que o constante uso da hashtag “tá pago” está atrelado a falta de motivação e/ou realização pessoal para realizar a prática esportiva ou determinados treinos. Modificar os treinos, a atividade física, o horário e duração dos treinos, bem como a própria postura do treinador/professor podem favorecer para que o treino seja mais prazeroso[2]. Ressalta-se que a expressão pode comunicar uma dívida para com outrem, como mídia, sociedade, como para consigo e para melhorar a saúde. Entretanto, as premissas apontam não são cabíveis de generalização, levando em conta que diversas pessoas podem fazer o uso da referida expressão mas sentirem-se confortáveis e realizadas pós-treino.

REFERÊNCIAS

[1] RUBIO, Katia. A psicologia do esporte: histórico e áreas de atuação e pesquisa. Psicologia: Ciência e Profissão, Brasília, v. 19, n. 3, p. 60-69, 1999. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98931999000300007&lng=en&nrm=iso>. Acessos em: 29 Jan. 2018.

[2] WEINBERG, Robert S.; GOULD, Daniel. Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2008.