O PAPEL DO PSICÓLOGO NA SOCIEDADE    

Por: Patrícia Zogbi

Esse texto busca elucidar o papel do psicólogo na sociedade. Esse conteúdo fora desenvolvido para o grande público, afim de que se entenda o fazer do Psicólogo. Para que se compreenda melhor a prática dessa profissão, convido você, caro leitor, a realizar a seguinte pergunta norteadora: “Qual a importância da atuação do psicólogo na sociedade?”.

Primeiro deve-se esclarecer que o Psicólogo busca auxiliar o indivíduo a se compreender, podendo trabalhar a relação do mesmo com a sua história, suas expectativas para o futuro, bem como suas relações sociais. Contudo, deve-se frisar que tal compreensão partirá do indivíduo, cabendo ao psicólogo o papel de mediador desse processo. É de suma importância quebrar o pensamento errôneo de que um indivíduo só deve procurar a ajuda de um psicólogo quando está em estado de “loucura”, tal visão não é verídica, pois o papel do Psicólogo na sociedade é justamente de promoção e prevenção na saúde.

Sendo assim, pensemos na seguinte situação: No contexto sócio-econômico atual o nível de exigência das organizações aumentou, como consequência para tal situação, as pessoas passaram a trabalhar freneticamente, buscando alcançar tais exigências, além disso, há um esforço para que se atenda os padrões sociais ditos “normais”. A partir da situação exposta, deve-se entender que é comum em algumas pessoas o surgimento de sintomas, como por exemplo, ansiedade e estresse, essas situações são comuns, a diferença é como cada indivíduo irá lidar com elas. Dessa forma, deve-se compreender que o Psicólogo irá olhar para o indivíduo de forma integral, em sua dimensão biopsicossocial, ou seja, compreender o sujeito em sua dimensão biológica, psicológica e social, auxiliando o mesmo na busca por se compreender, ao mesmo tempo que atentará para o contexto que esse sujeito está inserido, bem como para as suas relações sociais. Deve-se ter em mente também que o psicólogo lidará com um sujeito concreto, inserido numa realidade sócio-histórica-cultural, tendo no cotidiano seu espaço vital³.

Com base nessas informações, deve-se frisar que a conscientização/compreensão do sujeito, não consiste em uma simples mudança de opinião sobre a realidade, tampouco na mudança da subjetividade. Mas então, do que se trata a conscientização do indivíduo? trata-se de uma mudança de sua relação com o meio e com os demais, pois não há saber transformador da realidade que não envolva uma mudança de relações.

Sendo assim, o horizonte da psicologia na sociedade deve ser a conscientização, auxiliando o indivíduo a chegar a um saber crítico sobre si e sobre a sua realidade¹. Como consequência, assume-se o trabalho de desalienação do sujeito. Entende-se por alienação um fator limitador para o sujeito, por exemplo: em uma classe social mais oprimida economicamente, a alienação aparecerá como carência em termos de trabalho, saúde e educação². Portanto, o psicólogo irá agir no sentido de eliminar ou controlar aqueles mecanismos que bloqueiam a consciência da identidade pessoal¹. Dessa forma, o fazer do psicólogo não pode limitar-se ao plano abstrato do individual, mas deve confrontar também os fatores  sociais onde se materializa toda individualidade humana.

Por fim, lembro-lhes que só a percepção da realidade pode possibilitar a mudança². Pode parecer viável para muitos o fazer pelo fazer, atentando somente para o sintoma e não para o sujeito em sua integralidade. Pode parecer também, que a técnica esteja sendo invadida por considerações inoportunas e alheias à técnica², mas constituem paradoxalmente seu mais importante significado.

Cabe ao psicólogo na sociedade o papel de desmistificador, pois se ele busca a mudança do indivíduo, não pode deixar de fora toda situação que o conduziu até ali. Sendo assim, a função do psicólogo na sociedade é dar voz e vez para o sujeito em sofrimento, afinal, não se pode mais navegar impunemente no mar da indiferença.

REFERÊNCIAS

¹BARÓ, Ignácio Martin. O Papel do Psicólogo. Estudos de Psicologia, Natal, v. 2, p. 727, 1997. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413 294X1997000100002&script=sci_abstract&tlng=pt>. Acesso em: 12 abr. 2016.

²SELL, Tereza. Função Social do Psicólogo. Revista de Ciências Humana, Florianópolis, v. 1, n.1, p. 86-91, s/d. Disponível em <https://periodicos.ufsc.br/index.php/revistacfh/article/view/23715/21294>. Acesso em: 12 abr. 2016.

³SILVA, Janaína Vilares; CORGOZINHO, Juliana Pinto. Atuação do psicólogo, SUAS/CRAS e Psicologia Social Comunitária: possíveis articulações. Psicologia e Sociedade, Florianópolis, v. 23, p. 12-21, mai 2011. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.phpscript=sci_arttext&pid=S01027182201100040000>. Acesso em: 12 abr. 2016.

 

O fazer em Psicologia na atualidade

Por: Ricardo F. de Oliveira

“Você faz psicologia!? Isso é para gente meio doida;  Nossa, você vai cuidar de gente louca; Ser psicólogo é fácil, ganha dinheiro só escutando os outros.”

 

Qual o estudante de psicologia ou psicólogo formado que nunca ouviu algum comentário deste tipo? Não é comum o psicólogo ser estereotipado como aquele indivíduo que trabalha em uma clínica e trata apenas da loucura?

A Psicologia é uma ciência nova quando comparada a outras ciências, possuindo pouco mais de 115 anos desde sua criação. Seu objeto de estudo é o comportamento humano. No Brasil, a profissão de psicólogo é reconhecida por lei desde o ano de 1962, e tem sua prática regulamentada pelo Conselho Federal de Psicologia, de acordo com a resolução nº 02/1987, o qual institui o código de ética do psicólogo. Durante todos esses anos a Psicologia cresceu muito como ciência e como profissão, mesmo assim, a sociedade ainda possui uma noção errada do que o psicólogo realmente faz, onde ele atua e qual seu papel na sociedade.

É comum que as pessoas, quando questionadas acerca do trabalho do psicólogo, citem a clínica, um divã, e um psicólogo que nada faz além de escutar. A imagem deste modelo por si só não é acurada, pois mesmo enquanto clínica, o trabalho do psicólogo vai muito além da escuta[1]. A construção científica em Psicologia nos permite um fazer muito amplo no que diz respeito a atuação, possibilitando ao psicólogo trabalhar em praticamente todas as áreas da sociedade, seja na educação, na saúde, nas organizações, e em qualquer âmbito onde houverem pessoas, pois onde há pessoas, há demandas para a Psicologia[2].

Atualmente, os psicólogos estão inseridos nos meios mais diversos, sendo o de maior destaque a saúde. Neste meio, o psicólogo atua em clínicas, hospitais, centros de atenção psicossocial, e em várias outras instituições públicas e privadas, colaborando com outros profissionais na prevenção de doenças e promoção de saúde[2]. A presença do psicólogo também se faz necessária em lugares afetados por desastres naturais, onde ele exercerá um papel muito importante tanto no acolhimento das vítimas, como nas ações preventivas, buscando preparar a sociedade para enfrentar possíveis desastres[3].

Na educação, a Psicologia tem um papel muito importante, pois atua de forma interdisciplinar com os professores e pedagogos, auxiliando direta e indiretamente na educação, nas formas de educar e na busca incessante pela democratização da educação, valorizando não apenas o ensinar, mas também os aspectos subjetivos do estudante e em como isso influencia no processo ensino-aprendizagem. Não obstante, a contribuição teórica da Psicologia no âmbito educacional é marcante, influenciando diretamente as formas de ensinar e aprender[4].

Nas organizações o papel do psicólogo é fundamental tanto para o trabalhador como para instituição onde ele está inserido, pois além dos processos de recrutamento e seleção, o psicólogo atua na promoção de saúde e prevenção de doenças que têm sua gênese nos processos laborais, influenciando direta e indiretamente neste processo, facilitando o alcance dos interesses do trabalhador e da instituição[5].

O papel da Psicologia, apesar de atualmente mais difundido nestas três áreas, às extrapola. Os conhecimentos construídos através de inúmeras pesquisas que abrangem as mais diversas áreas afetam outros fazeres, como a arquitetura, a moda, a administração, o direito, enfim, fazeres que direta ou indiretamente envolvem pessoas, vivências e experiências [5,6,7,8].

A Psicologia exerce um papel central no meio científico e social, pois seus saberes afetam ambos os meios e oferecem subsídios para a fundamentação de inúmeras práticas, os quais, acima de tudo, buscam colaborar para a promoção da saúde, a valorização da subjetividade e a proteção dos direitos humanos.

Referências

[1]LEME, Maria Alice Vanzolini da Silva; BUSSAB, Vera Silvia Raad; OTTA, Emma. A representação social da Psicologia e do psicólogo. Psicol. cienc. prof.,  Brasília ,  v. 9, n. 1, p. 29-35, 1989. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98931989000100009&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 16 abr. 2016.

[2]BASTOS, Antônio Virgílio Bittencourt; GOMIDE, Paula Inez Cunha. O psicólogo brasileiro: sua atuação e formação profissional. Psicol. cienc. prof.,  Brasília ,  v. 9, n. 1, p. 6-15, 1989 . Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98931989000100003&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 16  abr. 2016.

[3]ALVES, Roberta Borghetti; LACERDA, Márcia Alves de Camargo; LEGAL, Eduardo José. A atuação do psicólogo diante dos desastres naturais: uma revisão. Psicol. estud.,  Maringá ,  v. 17, n. 2, p. 307-315, June  2012. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-73722012000200014&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 16 abr.  2016.

[4]DAZZANI, Maria Virgínia Machado. A psicologia escolar e a educação inclusiva: Uma leitura crítica. Psicol. cienc. prof.,  Brasília ,  v. 30, n. 2, p. 362-375, jun.  2010. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932010000200011&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em 16  abr.  2016.

[5]BASTOS, Antônio Virgilio Bittencourt; GALVAO-MARTINS, Ana Helena Caldeira. O que pode fazer o psicólogo organizacional. Psicol. cienc. prof.,  Brasília ,  v. 10, n. 1, p. 10-18, 1990. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98931990000100005&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 16  abr.  2016.

[6]ELALI, Gleice Azambuja. Psicologia e Arquitetura: em busca do locus interdisciplinar. Estud. psicol. (Natal), Natal , v. 2, n. 2, p. 349-362, Dez. 1997.   Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-294X1997000200009&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 18  abr. 2016.

[7]FLUGEL, John Carl. Sobre o valor afetivo das roupas. Psyche (São Paulo),  São Paulo, v. 12, n. 22, p. 13-26, jun. 2008. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-11382008000100002&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em:  18  abr.  2016.

[8]LAGO, Vivian de Medeiros et al . Um breve histórico da psicologia jurídica no Brasil e seus campos de atuação. Estud. psicol. (Campinas),  Campinas ,  v. 26, n. 4, p. 483-491, Dez.  2009. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-166X2009000400009&lng=en&nrm=iso>. Acesso em:  18  abr.  2016.

Afinal, o que é Psicologia?

Por: Bruno Kern

Não é de hoje que se discute sobre “o que é Psicologia” ou então sobre a atuação do psicólogo. Em uma pesquisa de 1984, da Doutora Ana Maria Almeida Carvalho[1], já se pensava sobre esses aspectos que, visivelmente, tinham uma preocupação com o tipo de profissional que estaria se formando nas universidades. Mas, se a três décadas este assunto já era fomentado e pesquisado, como está a atual situação da psicologia e sua atuação?

Indiscutivelmente, um dos grandes problemas enfrentados pela psicologia é a questão de existir diferentes abordagens que sustentam o fazer da psicologia, sua visão de homem e mundo e suas técnicas terapêuticas. Em sua pesquisa bibliográfica, Dazzani[2] apresenta estes problemas vinculados a atuação dos profissionais na escola e apontam que, tanto a diferença de abordagens como a situação da psicologia em relação à história dela no Brasil, deixam a sociedade inquieta sobre o fazer do psicólogo. Isto representa um desafio a ser enfrentado para poder explicar  qual  é realmente o papel da psicologia no contexto de hoje.

É interessante ressaltar que, mesmo com tantas divergências no fazer em psicologia, o Conselho Federal de Psicologia dispõe aos profissionais da área o Código de Ética Profissional do Psicólogo[3], onde todos têm acesso às principais características do fazer psicologia, como os procedimentos éticos e a responsabilidade que o psicólogo deve ter para com a comunidade em geral e para com os indivíduos que estão em psicoterapia. Fazer o qual, segundo o código, é pautada nos Direitos Humanos, atentando para a dignidade e liberdade, tanto individual quanto coletiva, buscando sempre informar sobre os procedimentos e contribuir com cientificidade para toda a sociedade.

Há também outros autores que ressaltam o que a psicologia tem para nos oferecer hoje, como é o caso do Tourinho[4], que em seu artigo “A Produção de Conhecimento em Psicologia: análise do comportamento” de 2003, traz uma noção mais coerente sobre “O que é a Psicologia”. Para definir este conceito de Psicologia, Tourinho[4] utiliza-se principalmente de que a Psicologia é a relação entre uma busca por conhecimento científico aplicável, ou seja, pesquisas científicas que auxiliarão a atuação do psicólogo e também, não menos importante, discussões filosóficas sobre a sociedade, sobre como podemos relacionar as situações encontradas nas pesquisas científicas com os problemas do dia-a-dia e que, tudo isto, esteja voltado para melhor compreender o ser humano e auxiliar nos problemas que se apresentam.

Mais recentemente, no livro da Dr. Ana M. Bahia Bock[5], a autora relata nos seus primeiros capítulos a conflituosa definição de Psicologia e reforça que este problema é dado pelas inúmeras escolas psicológicas que divergem em base teórica, objeto de estudo e técnicas. Porém, a autora traz um conceito que explica muito bem o objetivo da Psicologia no âmbito geral,  o conceito da subjetividade. Sendo o objeto de estudo o ser humano, a psicologia entende que o ser humano é dotado de vários aspectos que o identificam como tal, sendo tanto seus contatos sociais, suas crenças, seus gostos, seus sentimentos, seus comportamentos visíveis, e todas as interações de sua vida.

Estas interações constituem a subjetividade do ser humano, e a Psicologia baseia-se nesta subjetividade para trabalhar e pesquisar cientificamente sobre as dúvidas e paradigmas do dia-a-dia, como por exemplo “Eu sou assim porque meus pais me criaram assim?”,  para tentar melhor compreender o seu objeto de estudo, o ser o humano.

Referências:

[1] CARVALHO, Ana Maria Almeida. “Atuação psicológica”. Psicol. cienc. prof.,  Brasília ,  v. 4, n. 2, p. 7-9,    1984. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98931984000200003&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 15  Abril de 2016.

[2] DAZZANI. Maria V. M. A psicologia escolar e a educação inclusiva: uma leitura crítica. Psic. Ciên. Prof. Bahia. 362-375. 2010 Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932010000200011> Acesso em: 15 Abril de 2016

[3] BRASIL, Código de ética (010/2005). Código de Ética Profissional do Psicólogo. Aprovado em 21 de julho de 2005. Documento Online, disponível em: http://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2012/07/codigo-de-etica-psicologia.pdf. Acesso em: 06/05/2016.

[4] TOURINHO, Emmanuel Zagury. A produção de conhecimento em psicologia: a análise do comportamento. Psicol. cienc. prof., Brasília ,  v. 23, n. 2, p. 30-41,  jun. 2003. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932003000200006&lng=pt&nrm=iso>. acessos em  16  abr.  2016.

[5] BOCK, Ana M. B.;  FURTADO, Odair; TEIXEIRA, Maria L. T. Psicologias: Uma introdução ao estudo de Psicologia. Editora Saraiva: São Paulo, 2008, p.368

O papel social da psicologia na saúde pública

Por: Gustavo Assi

Elementos sócio-histórico-culturais fundamentam a forma como a sociedade edifica seus saberes e retrata suas práticas. Destarte, a atuação profissional não pode ficar pautada apenas nas concepções do indivíduo, sem levar em conta os contextos históricos da formação social na qual ele se encontra[1]. Desse modo, o profissional da Psicologia também não poderia deixar de fora da sua atuação esses aspectos determinantes de uma sociedade.
Em seus mais de 50 anos de profissão regulamentada, a Psicologia no Brasil passou, e ainda passa, por várias transições no que se refere ao seu fazer profissional. Dentre elas, pode-se citar a saída do profissional de caráter autônomo da clínica, para o emprego assalariado e de atuação multiprofissional, com destaque para os serviços públicos e políticas sociais[2].
Uma prática multiprofissional, e de caráter preventivo, não condizia com a representação do fazer da Psicologia em seus primórdios, cujo principal traço era o diagnóstico e a cura da doença mental, onde o Psicólogo era visto como aquele que cuidava de “loucos”, sendo muitas vezes essa a causa de preconceitos e resistências em buscar ajuda psicológica[3] que, de certo modo, os próprios profissionais ajudaram a construir.
Conforme o psicólogo foi sendo inserido no contexto da saúde pública e das políticas sociais, o modelo médico tradicional passou a ser questionado. Tal modelo privilegiava o enfoque individual em detrimento do contexto social e histórico, gerando assim uma prática de ajustamento do indivíduo ao meio. Desse modo, com o surgimento de novas demandas, formadas pela difícil realidade das classes populares brasileiras, o psicólogo passou a necessitar de um novo olhar para o sofrimento psíquico gerado nessa população[4]. Novo olhar que pode ser encontrado na inserção do psicólogo nas políticas sociais e de saúde.
Sabe-se, porém, que os determinantes externos que servem de obstáculo para a atuação do Psicólogo nas políticas sociais não são poucos; o mau funcionamento dos equipamentos de saúde, a corrupção e a má gestão dos serviços, a formação acadêmica que não preza pela multiprofissionalidade, as condições de trabalho aversivas, dentre outros. No entanto, não se pode dispensar a sua contribuição de atuar efetivamente no desenvolvimento da população[2].
Os primeiros questionamentos acerca da contribuição do psicólogo nas funções sociais surgiram nos anos de 1970 e 1980, e centravam-se no tipo de público que poderia ter acesso a esses profissionais – frente a isso, o profissional de psicologia teve de expandir seu trabalho também à população carente[2].
Tal expansão ocorreu com a inserção dos psicólogos nas políticas sociais, principalmente com a transição democrática dos anos 1990. Contudo, a partir da percepção de que não basta ao psicólogo atender aos pobres, mas sim possibilitar meios para que haja mudança, o questionamento sobre o papel social retorna, mas agora como “compromisso social”[2].
A Psicologia comprometida socialmente, pode ser definida como aquela que busca atender camadas sociais que não tiveram acesso ao trabalho do psicólogo. Tal compromisso, busca a adoção de perspectivas teóricas que consideram o contexto social e histórico característicos deste público, em detrimento de abordagens “psicologizantes”[5]. Pautada no compromisso social, a Psicologia da Saúde no Brasil foi ampliando seu âmbito de atuação, de forma a a ultrapassar o contexto hospitalar, na década de 90, para se instalar na saúde pública[6].
A Psicologia da Saúde estuda, então, o papel da própria Psicologia como ciência e profissão nos domínios da saúde, da doença e da prestação dos cuidados de saúde, tendo como ponto de partida as experiências, comportamentos e interações deste contexto. Enfatiza a necessidade de considerar os contextos sociais e culturais nos quais a saúde e as doenças ocorrem, uma vez que as significações e os discursos desses aspectos são diferentes conforme estatuto socioeconômico, gênero, a diversidade cultural e o momento histórico[6].
Embora a inserção do psicólogo no contexto da saúde pública seja recente, a sua prática nas instituições de saúde vai ao encontro com as necessidades sociais, englobando os contextos históricos e sociais como determinantes dessas necessidades. Pode-se dizer então, que o papel social da Psicologia, enquanto inserida na saúde pública, é de compreender que existem diversos contextos, e que cada contexto deve ser analisado de forma única, uma vez que o surgimento de doenças em determinada região diz respeito a características específicas encontradas nela. Além disso, uma prática interdisciplinar que contribua para minimizar o sofrimento psíquico da população, bem como possibilitar meios para que consigam superar situações adversas, está pautada no seu compromisso social.

REFERÊNCIAS

[1]POUBEL, Paula Figueiredo. Psicologia na Saúde Pública. ECOS – estudos contemporâneos da subjetividade. Cuiabá, v. 4, n. 2, p. 192-200, 2014.

[2]COSTA, Ana Ludmila Freire. A Produção Científica de Psicologia e o Debate sobre Política Social. 2014. 286 f. Tese ( Programa de Pós Graduação em Psicologia) – Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2014.

[3]CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA DA 6ª REGIÃO (Org.) Exposição 50 anos da psicologia no Brasil: A História da psicologia no Brasil. Conselho Regional de Psicologia da 6ª Região. São Paulo: CRPSP, 2011.

[4]AMARAL, Marília dos Santos; GONÇALVES, Cristiane Holzschuh; SERPA, Monise Gomes. Psicologia Comunitária e a Saúde Pública: relato de experiência da prática Psi em uma Unidade de Saúde da Família. Psicologia Ciência e Profissão, Brasília, v. 32, n. 2, p. 484-495, 2012.

[5]BOCK, A. M. B. Psicologia e o compromisso social. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2009.

[6]SOBROSA, Gênesis Marimar Rodrigues et al. O Desenvolvimento da Psicologia da Saúde a Partir da Construção da Saúde Pública no Brasil. Revista de Psicologia da IMED. Passo Fundo, v. 6, n.1, p. 4-9, Jan./Jun. 2014.

O papel do psicólogo escolar

Por: Aline Marques

A escola, assim como as outras instituições, é um local onde podem existir várias problemáticas em que um psicólogo pode contribuir. É importante que os membros das instituições escolares saibam o real trabalho de um psicólogo, bem como as contribuições de sua função. Um psicólogo escolar trabalha dentro da escola observando as demandas e contribuindo para melhorias na qualidade do ensino, tanto para funcionários da escola quanto para alunos e pais[1].

A escola é uma instituição neutra que realiza projetos de socialização das crianças e os prepara para a vida em sociedade. As instituições escolares devem beneficiar a todos, independentemente da origem social, da cor, do credo e do sexo[1].

Para muitos professores o papel do psicólogo se resume em auxiliar na mudança de comportamentos de alunos que causam problemas e atrapalham o andamento das aulas ou ainda no auxílio de alunos com deficiência. Entretanto, segundo Aquino[2] o psicólogo deve atender à comunidade escolar indo além dos apelos quanto aos “alunos-problema” ou com dificuldades de aprendizagem. O trabalho do psicólogo escolar é satisfatório quando a comunidade escolar recebe bem as sugestões, participa delas e contribui de forma interdisciplinar para a melhoria da escola.

O essencial para a inclusão de todos os alunos é a melhoria de parcerias com os demais profissionais da instituição de ensino, conscientizando-os da multideterminação dos fenômenos educativos, buscando diferentes formas de atingir todos os alunos e ainda envolvendo todos os membros da comunidade escolar para obter sucesso do processo de escolarização[2].

O corpo docente das escolas (professores) possuem formações em suas áreas específicas no caso dos anos finais e, na educação básica, em pedagogia. Muitos destes profissionais não têm conhecimento sobre saúde mental, transtornos, síndromes, entre outras temáticas em que o psicólogo possui um vasto conhecimento[3].

Uma das funções básicas do psicólogo escolar é o auxílio ao aluno para uma vida plena e sadia, tanto para o que se refere a conhecimento quanto para ajustar-se em sociedade, afinal este é o objetivo da vivência escolar como um todo[3]. Neste sentido, o psicólogo escolar pode propor inúmeras instruções sobre diferentes temáticas, para garantir uma melhor mediação entre aluno-professor[2], pois as crianças precisam de um professor orientado psicologicamente para, assim, aproveitar o máximo de suas potencialidades[3].

Segundo Martins[4], o psicólogo tem o papel de auxiliar os envolvidos da escola a colocar em coletivo novas pautas relacionadas a realidade que está sendo vivenciada para que o próprio grupo possa sugerir novas formas de avaliação dos processos do contexto escolar, como os meios de aprendizagem, organização da instituição, formas de avaliar os alunos, entre outros aspectos importantes para a decisão dos educadores.

É de extrema importância que o psicólogo escolar trabalhe com todos os envolvidos da escola, pois o fracasso escolar não é um problema do aluno somente, mas sim um processo construído das relações escolares, bem como problemas institucionais, de ensino, avaliativos e outras demandas deste contexto[5].

Referências

[1]PATTO, Maria Helena Souza (Org.).  Introdução à Psicologia Escolar. São Paulo: Casa do Psicólogo 3 ed. 1997, p. 468.

[2]AQUINO, Fabíola de Sousa Braz et al . Concepções e práticas de psicólogos escolares junto a docentes de escolas públicas. Psicol. Esc. Educ.,  Maringá ,  v. 19, n. 1, p. 71-78, Apr.  2015 .   Disponível em; <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-85572015000100071&lng=en&nrm=iso>. Acesso em  15  Mar.  2016.

[3]GOLDBERG, Maria Amélia Azevedo (Coordenadora); Concepções do papel do Psicólogo Escolar, São Paulo; 1973. Disponível em: <http://publicacoes.fcc.org.br/ojs/index.php/cp/article/view/1840/1809> Acesso em 19 de Abril.

[4]MARTINS, João Batista. A Atuação do Psicólogo Escolar: multirreferencialidade, implicação e Escuta clínica. Psicol. estud. , Maringá, v. 8, n. 2, p. 39-45, Dezembro de 2003. Disponível a partir <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-73722003000200005&lng=en&nrm=iso>. Acesso em 19 de abril de 2016.

[5]ASBAHR, Flávia da Silva Ferreira; MARTINS, Edna; MAZZOLINI, Beatriz Pinheiro Machado. Psicologia, Formação de Psicólogos e a escola:. Desafios Contemporâneos Psicol. estud. , Maringá, v. 16, n. 1, p. 157-163, março de 2011. Disponível a partir <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-73722011000100019&lng=en&nrm=iso>. Acesso em 19 de abril de 2016.

Projeto Todos por Elas

Refletir sobre o potencial crítico e questionador da escola, pode ser um caminho para promover mudanças. Pensando nisso, o curso de Psicologia da UNIFEBE realiza o projeto “Prevenção de Violência contra a Mulher: Todos por Elas” em escolas da rede estadual de ensino. A iniciativa tenciona a prevenção da violência contra a mulher no ambiente escolar, visto que, este é um ambiente capaz de abrir horizontes e provocar transformações pessoais e coletivas a longo prazo.

http://www.unifebe.edu.br/site/imprensa/noticias-unifebe/projeto-de-psicologia-todos-por-elas-conscientiza-contra-violencia-de-genero/

A divulgação do conhecimento Psi

Foi pensando em criar textos para a comunidade leiga que surgiu a ideia deste blog sobre a psicologia, hospedado no Centro Universitário de Brusque, procurando trazer conhecimento científico atual, cumprindo com um dos pilares éticos e sociais da ciência: divulgar o conhecimento para que toda a comunidade possa se beneficiar do avanço científico. Essa questão ética perpassa todos os tipos de conhecimentos, e muitos deles vêm impactanto a sociedade, sem que ela os conheça ou entenda como eles são produzidos, conforme fala do Professor Quilfeldt¹.

A divulgação do conhecimento na psicologia é ainda mais precário, poucos sites estão dispostos a divulgar conhecimento atual. Muitos sãos os sites com desinformações, posições mais ideológicas do que científicas e simples absurdos provenientes de convicções pessoais. A própria cultura popular não traz muita contribuição já que o conhecimento popular é muitas vezes contrário ao que se descobre na ciência, quando ele mesmo não se contradiz. Por fim, pouco se sabe da aplicação desse conhecimento na sociedade.

A tecnologia² proveniente dessa ciência não é amplamente utilizada, mas poderia, e não significa que algumas tecnologias conhecidas não estejam em vigor mesmo sem que os criadores o saibam (vide comerciais em geral). Conforme conhecemos, o ser humano só se permite ser controlado enquanto não sabe ou não tem conhecimento do que [ou de quem] o está controlando³. Logo é interessante a todo cidadão conheça os mecanismos pelos quais opera para que não se deixe levar, como na música de Zeca Pagodinho…

Neste sentido, é possível, por meio da academia, divulgar o conhecimento mais atual que temos, considerando que o ensino superior é onde o conhecimento é transmitido e produzido4. É dever do psicólogo divulgar para o máximo de pessoas o conhecimento de qualidade para que a sociedade não caia vítima de más práticas tanto psicológicas quanto pseudo-psicológicas (ou conhecimentos ainda mais oportunistas) que existem espalhados por aí.

Atualmente estuda-se e revisa-se cada vez mais as práticas psicológicas com curiosidade científica. Em 2012, Nosek5 divulgou que poucos estudos na psicologia eram replicados. Esse foi um momento especial para o crescimento da psicologia como ciência, já que a replicabilidade de um estudo científico é o que sustenta sua validade, ou seja, o conhecimento precisa passar em testes para ver o quanto ele se mantém. Assim podemos separar os fatos dos vieses de pesquisador e de publicação.

É claro que não basta conhecer os fatos relacionados ao conhecimento científico, mas sim como esse conhecimento é produzido, pois mais importante que conhecer é saber detectar os conhecimentos construídos com qualidade. Nesse sentido, vale inclusive ver o vídeo do Pirula6 sobre a desculpa do entretenimento, no qual ele traz uma nova visão para a divulgação científica.

Por esse motivo, os textos aqui presentes buscarão apresentar como exemplo, processos de conhecimento produzidos por acadêmicos. De forma sucinta e acessível desvendar um pouco do processo do conhecer que se faz dia-a-dia na academia, bem como trazer informações valiosas.

Essas informações podem ser utilizadas para que qualquer leitor tenha um pouco mais de percepção sobre sua condição humana, seus comportamentos, pensamentos e relacionamentos, tornando-os mais saudáveis na medida do possível. Também servirá como um exercício de cidadania para os acadêmicos e futuros psicólogos que serão responsáveis por divulgar conhecimento de qualidade.

 

Alguns links interessantes:

  1. Vídeo do Professor Jorge Quillfeldt no congresso da Liga Humanista Secular: http://www.bulevoador.com.br/2015/03/ciencia-e-humanismo/
  2. Entende-se por tecnologia tudo aquilo que é desenvolvido com base em conhecimento produzido previamente, criando uma sistematização de uso. Em ciências humanas, as tecnologias geralmente são ações planejadas.
  3. SLATER, L. Mente e Cérebro: Dez experiências impressionantes sobre o comportamento humano. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004.
  4. MARTURANO, Edna Maria; SILVARES, Edwiges Ferreira de Mattos; OLIVEIRA, Margareth da Silva. Serviços-escola de psicologia: seu lugar no circuito de permuta do conhecimento. Temas em psicologia,  Ribeirão Preto ,  v. 22, n. 2, p. 457-470, dez.  2014 . Disponível: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-389X2014000200016
  5. Entrevista com Brian Nosek sobre a replicabilidade na psicologia (em português) http://scienceblogs.com.br/socialmente/2012/06/psicologia-acordando-para-ciencia-aberta/
  6. Vídeo do Pirula sobre “A desculpa do entretenimento”: https://www.youtube.com/watch?v=PtFd97xm3gE

Dia do psicólogo

Neste dia, a profissão realiza 53 anos de regulamentação no Brasil. Aproveitamos para parabenizar todos os psicólogos brasileiros e principalmente os Docentes que contribuem para a formação de novos psicólogos com responsabilidade crítica para fortalecer a profissão no país.

Feliz dia Psicológico!

 

Semana da Psicologia 2015

PROGRAMAÇÃO DA SEMANA DE PSICOLOGIA 2015

26.08.15 – Palestra: transtorno da aprendizagem
Psic. Lucimara Z G Pavesi – auditório bloco C 19h

26.08.15 – Palestra : Arte terapia
Dr. Maria da Glória – auditório bloco E
Lançamento do livro

27.08.15 – Prevenção de deficiência
Palestrante: Graciela Darós Piffer
Auditório bloco C 19h

27.08.15 – Palestra: Perdas e Lutos
Psic. Aroldo Escudeiro
Auditório Bloco E – 19h

28.08.15 – Oficinas:

O papel do Psicólogo na Assistência Social
Psic. Leila e Psic. Aldrin – Cras
Sala 15 A
Prof. Jorge – Responsável

A influência do Jogo no Comportamento
Psic. André Luiz Thieme – Responsável
Sala – 1 A
*Vai acontecer uma atividade antes, entrar em contato com o professor por email: andrethieme@unifebe.edu.br

Atuação do Psicólogo no Núcleo de Apoio à Família – NASF
Psic. Roberta
Sala – 39 A
Prof. Sandra – Responsável

Psicomotricidade
Prof. Adonis
Sala de Dança – 26 D
Prof. Pricila – Responsável

Violência na Infância
Psic. Maiara Pereira Cunha
Prof. Simoni – Responsável

29.08.15 – Panfletagem Centro de Brusque
Confraternização